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Lula cancela presença na posse de Sebastián Piñera, dia 11 de março, gerando surpresa e constrangimento

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A informação divulgada ontem pelo Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) de que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, cancelou a sua presença na cerimônia de posse do novo Presidente do Chile trouxe surpresa e está gerando constrangimentos ao Brasil.

A participação de Lula havia sido confirmada por três vezes ao longo desta semana e da semana passado, tendo-se como certo que o brasileiro honraria o evento. No entanto, de última hora veio à desistência produzindo especulações, sendo a mais significativa a de que Lula não iria por divergências ideológicas entre os dois presidentes. 

O Itamaraty apressou-se em justificar, mas apresentou explicações seguidas e diferentes, embora complementares. Analistas observam que o mais provável seja o peso que Lula dará a Piñera, com sua participação. Assim, evitará de receber críticas de seus parceiros momentâneos, em especial Evo Morales, com quem o presidente chileno terá de negociar vários contenciosos, dentre eles a questão do mar territorial boliviano, e Hugo Chávez, presidente da Venezuela, sobre quem Piñera já se manifestou de forma crítica e acusativa. Ambos os mandatários também não estarão na posse do novo Presidente do Chile.

A decisão do brasileiro, contudo, produzirá resultados negativos para sua avaliação internacional. Uma das atuais percepções acerca do presidente Lula é de que, apesar de estar se mostrando como um líder de projeção global, não está conseguindo se desvincular dos comportamentos dirigidos por sentimentos ideológicos, algo já está gerando desgaste e prejudicará à pretensão que ele tem de colocar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU o mais breve possível, para apresentar a conquista como uma obra de seu governo.

Outros analistas apontam que a presença de Lula poderá refletir negativamente na campanha eleitoral de Dilma Roussef para Presidente do Brasil, pois ele estaria testemunhando um caso no continente em que a avaliação positiva de um mandatário presidencial não significou a transferência de votos para o seu candidato e teve como resultado a derrota. Ou seja, ele poderá estar estimulando comportamento semelhante no Brasil. De qualquer forma, acredita-se que a decisão para ele não ir ao Chile no dia 11 de março não veio por decisão própria, mas estimulada por algum conselheiro seu.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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