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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se hoje, dia 3 de maio de 2010, com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em Ponta Porã (Brasil), onde serão tratadas algumas questões pendentes acerca de promessas feitas pelo mandatário brasileiro ao seu homólogo paraguaio. Os presidentes tratarão de vários temas.

O primeiro será a construção de uma linha de transmissão de energia elétrica entre Assunção, capital do Paraguai, e Itaipu, no valor entre 400 e 450 milhões de dólares, dinheiro que sairá do “Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul” (Focem) e não terá custos ao Paraguai.

O tema já estava sendo tratado por Lula, mas a questão envolve vários aspectos e tem recebido críticas da oposição brasileira. Apesar de concordar com as necessidades paraguaias e perceberem a contradição de este país ter escassez de energia sendo sócio de Itaipu, os opositores do governo Lula têm levantado o fato de que os custos do empreendimento sairão dos cidadãos brasileiros.

Além da questão de Itaipu, Lula tratará do problema da segurança no país, pois a instabilidade paraguaia está afetando o Brasil. O “estado de exceção” decretado pelo presidente Lugo tem reduzido a violência, mas o problema é estrutural, razão pela qual os dois presidentes buscarão soluções durante a reunião. Segundo o porta-voz da “Presidência da República”, Marcelo Baumbach, “o Brasil vai escutar o Paraguai e oferecer ajuda”. 

Como a questão é ampla e complexa, sabe-se que será necessário tratar também da expulsão dos quase 1500 brasiguaios que foram deslocados das terras que ocupavam no Paraguai. Também se falará do problema dos denominados “refugiados políticos”, pelo governo brasileiro, que receberam asilo político e, por isso, não foram extraditados recusando-se uma solicitação explícita do governo paraguaio.

Outro tópico será a ligação entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o grupo paraguaio EPP* (Exército do Povo Paraguaio) e o grupo narcotraficante brasileiro PCC (Primeiro Comando da Capital).

O envolvimento dos três grupos coloca o governo brasileiro em situação delicada. Segundo amplamente divulgado, os membros do PCC, embora sejam concorrentes dos narcotraficantes do Paraguai, aceitaram a tarefa de assassinar o senador Robert Acevedo por razões individuais e não da organização criminosa a que pertencem. No entanto o envolvimento se estabeleceu e sabe-se que existe estreitamento das relações.

Além disso, a situação dos refugiados políticos tem ficado tensa, uma vez que está sendo divulgado que estes estão vinculados tanto ao EPP, quanto as FARC, que tem interesse na disseminação do tráfico de drogas na região, havendo casos, já demonstrados, de envolvimento entre FARC e PCC. Com a gravidade da situação o presidente brasileiro fica na condição constrangedora em relação à forma como o seu governo considera os militantes das “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”.

Todos os temas estão relacionados e afetam as políticas paraguaias, além das relações bilaterais entre Brasil e Paraguai. Por isso, a solução do tema violência se desdobra para a questão da instabilidade política no país, para a segurança pública e para o combate ao crime organizado.

Acredita-se que a questão da entrada da Venezuela no Mercosul também poderá ser tocada, mas os problemas da violência no país, a crise política e o problema energético são muito urgentes deixando pouco espaço para a questão venezuelana.

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* O EPP é uma facção armada do “Partido Pátria Livre” (PPL), que não tem representação parlamentar e focaliza a questão agrária no seu país, combatendo os latifúndios. De acordo com relatórios de inteligência do Paraguai eles têm grupos agindo nas selvas e têm recebido treinamento guerrilheiro nas FARC.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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