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Lula nega que proposta de troca de combustível nuclear iraniano fora do Irã tenha sido feita pelo Brasil

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Havia sido anunciado que o Irã aceitava a proposta brasileira de intermediar a troca de combustível nuclear para as usinas do seu país. A idéia já havia sido levantada anteriormente, com o procedimento de o governo iraniano ceder combustível pouco enriquecido, na casa dos 3%, ou 4%, para ser enriquecido até 20% na Rússia, ou na França.

A imposição de Teerã era de que deveria ocorrer uma troca de material e dentro do território iraniano, algo que foi prontamente recusado pelas potências mundiais, pois, inicialmente, se pretendia realizar o fornecimento de 1200 quilos de urânio, quantidade suficiente para a produção de armamento nuclear, se não fosse feito o controle adequado do material. Além de ocorrerem dentro de suas fronteiras, o Irã exigia que a troca do material fosse feita simultaneamente o que inviabilizaria o controle.

Diante do impasse, da estagnação das negociações e da recente possibilidade de ser aplicada à quarta rodada de sanções contra o país, o Irã acenou com a possibilidade de a troca passar a ser feita no Japão, no Brasil, na Turquia, ou na ilha iraniana Kish, dentro daquilo que tem sido considerado como um recuo em direção às exigências das grandes potências.

O anúncio, que foi feito em jornais, afirmava que a declaração tinha vindo de Ahmadinejad, após conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Prontamente o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, negou que a proposta tenha sido feita por seu governo, bem como descartou a possibilidade de enriquecer o urânio iraniano, afirmando que tal tarefa deve ser realizada por um país geograficamente mais próximo do Irã, provavelmente pensando na Turquia, com quem tem concordado que se deve investir mais nas negociações com o Irã, prontificando-se os turcos como potenciais mediadores, com o apoio do Brasil.

Provavelmente Lula também deve estar levando em conta as declarações realizadas por Ali Akbar Vealyat, um assessor do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, que afirmou ser esta proposta do Ocidente satânica e não seria aceita pelo governo local.

Apesar do apoio que ainda está dando ao governo do Irã, é possível que o governo do Brasil comece a perceber que ficará isolado e trará para o país um problema sobre o qual é incapaz de dimensionar, principalmente neste momento em que começa a corrida para a eleição presidencial brasileira, a ser realizada em outubro de 2010, e a candidata do governo encontra-se atrás nas pesquisas de intenção de voto.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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