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Lula pede apoio ao Acordo com o Irã, em resposta a reação negativa das grandes potências

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou cartas aos presidentes dos EUA (Barack Obama); da Rússia (Dimitri Medvedev); da França (Nicolas Sarkozy); do México (Felipe Calderón) e aos países da “União das Nações Sul-Americanas” (UNASUL) pedindo apoio ao Acordo firmado entre Irã, Brasil e Turquia, no dia 17 de maio.

O argumento brasileiro para a sua solicitação é de que o “objetivo foi criar um clima de confiança internacional”. Continuando que “pode não resolver todo o problema (…) mas abre possibilidades para conversações”. Ou seja, a idéia é de que o Brasil fez sua parte para buscar o equilíbrio no sistema internacional, buscando a criação de um espaço para a retomada dos diálogos. Argumento que tem sido elogiado por estudiosos do tema.

Analistas, no entanto, apontam que esta ação continua se configurando dentro de uma estratégia iraniana de vencer os esforços para frear o seu projeto, o qual, segundo declarações dos governos das grandes potências, apresenta os elementos que demonstram ter objetivos bélicos.

Em confirmação a esta suspeita, começam a surgir anúncios de que norte-coreanos estavam e estão trabalhando no Irã para manter a transferência de tecnologia nuclear e tecnologia de mísseis, uma vez que o governo norte-coreano não tem parceiros internacionais, restando-lhe investir numa aliança com Teerã.

A situação tem ficado mais tensa. Diante da resposta da Rússia de apoio às sanções contra o Irã, o governo deste país fez severas críticas aos russos e recebeu como resposta que Teerã se comporta demagogicamente e sem transparência, quase confirmando que os russos não retrocederão em relação ao apoio dado ao governo dos EUA e da França, principais agentes nas negociações em prol das sanções contra o governo iraniano.

Além disso, começam a ter comportamento pró-ativo no atual contencioso entre as duas Coréias, reforçando a tese de alguns analistas de que o Acordo assinado no dia 17 de maio trouxe mais instabilidade, ao invés de equilíbrio para o cenário atual.

Os brasileiros, devido à situação criada, estão buscando salvar sua ação diplomática para não cair em descrédito internacional, razão pela qual, além de enviar as cartas aos países que compõem o “Conselho de Segurança” (CS) da “Organização das Nações Unidas” (ONU) também as encaminhou aos membros da UNASUL, pois tem certeza do apoio de vários países deste grupo.

Em relações internacionais, sabe-se que à mesa de negociações, muitas vezes o número de signatários é essencial para mostrar que uma proposta não é isolada e reflete o pensamento coletivo, mesmo que aqueles que comungam do argumento não tenham envolvimento direto no problema, não tenham poderio econômico e militar, ou não estejam posicionados como jogadores de peso no cenário internacional.

Neste sentindo, apesar de os observadores não acreditarem que a tentativa brasileira vá gerar resultados, a maioria tem concordado que a tática adotada para buscar o apoio está bem coordenada e se não gerar resultado positivo, reduzirá o impacto no caso contrário.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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