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Lula percebe que isolamento da Colômbia atrapalha sua estratégia de liderança na América Latina

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Ao longo dos últimos dias foi anunciada a cooperação militar entre Brasil e Colômbia, a reboque da reunião realizada no dia 19 de outubro, segunda-feira, entre os presidentes Luis Inácio Lula da Silva (Brasil) e Álvaro Uribe (Colômbia), na cidade de São Paulo, Brasil.

 

A mídia divulgou que o presidente brasileiro exigiu do colombiano que apresente o conteúdo total do Acordo firmado entre seu país e os EUA, no qual se prevê o uso por tropas estadunidenses de sete bases em território da Colômbia, cujo objetivo é o combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC.

Essa exigência é a repetição das solicitações feitas em reunião da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas), logo após a assinatura do Acordo Militar entre EUA-Colômbia.

Quando se iniciou o a divulgação deste Acordo, as lideranças regionais, em especial os bolivarianos Hugo Chávez (presidente da Venezuela), Rafael Correa (presidente do Equador) e Evo Morales (presidente da Bolívia), exigiram que ele fosse esclarecido, por meio da apresentação e explicação dos seus detalhes, uma vez que se descobriu uma cláusula sobre a defesa das instituições democráticas, algo que, da perspectiva desses mandatários, pode representar um componente intervencionista.

A resposta de Uribe foi de que o faria, mas que a regra deveria valer para todos, ou seja, que os demais acordos militares da região fossem colocados na mesa, em especial o Acordo Brasil-França e Venezuela-Irã. A solicitação levou a que as exigências amainassem e o tema passou a ser tocado com menos freqüência.

A vinda de Uribe ao Brasil, contudo, teve um caráter eminentemente comercial. Os colombianos querem intensificar as relações com os brasileiros, que já estes constituem o terceiro maior exportador para a Colômbia e, esta, diante dos conflitos com a Venezuela, cujo mercado é significativo, volta-se para o Brasil, com a intenção de buscar um mercado alternativo capaz de substituir o venezuelano.

Além disso, busca mostrar o seu país como bom campo para investimentos diretos, razão pela qual fez questão de se reunir com 130 empresários brasileiros na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Como já tem histórico de parcerias com Brasil, sendo um comprador do avião brasileiro Super Tucano, buscou um acordo para a produção conjunta desta aeronave (produzindo peças) para, juntos, participarem do mercado. O argumento é de que a linha de produção brasileira não tem condições de dar conta da demanda, por isso à parceria será proveitosa para ambos.  

O presidente brasileiro acenou positivamente para a proposta, pois ela funciona adequadamente para sua estratégia de liderança da América Latina. Sabe que a Colômbia é o elo fraco da UNASUL e sua exclusão (Uribe ameaçou, inclusive se retirar da União), ou isolamento na instituição, como chegou a ser cogitado por Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, levaria a que esta se tronasse apenas mais uma sigla no contexto das instituições multilaterais latino-americanas.

Lula recuou e afirmou que as questões do Acordo EUA-Colômbia estão mais amenas, já que os norte-americanos também afirmaram que não investirão tanto na repressão ao tráfico, mas nas campanhas para reduzir o consumo, algo que, se supõe, levará a menores investimentos nas bases colombianas, caso este discurso seja cumprido.

Dentro da Política Externa brasileira, a parceria com os colombianos servirá adequadamente para reduzir a identificação automática que, hoje, o Brasil tem com o grupo bolivariano. Isso servirá para ressaltar a imagem da liderança brasileira como mediadora e articuladora da política internacional na América Latina.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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