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Lula segue seu percurso pelo Oriente Médio, acreditando que poderá ser um dos mediadores do crônico conflito regional

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Após a passagem por Israel, onde discursou no Parlamento israelense (Knesset), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, continuou seu percurso em viagem pelo Oriente Médio, dirigindo-se à Belém, onde se encontrou com o Presidente da “Autoridade Nacional Palestina” (ANP), Mahmoud Abbas, e com empresários.

O objetivo é fazer aproximações apresentando um discurso em prol da defesa do acordo de paz para a região e pela defesa do direito dos palestinos ao seu território. Segundo analistas, é apenas uma repetição dos demais discursos internacionais até o momento.

Lula admitiu que a questão é complicada e o argumento adotado foi de que se deve insistir e lutar pelo diálogo entre os envolvidos, pois isso evitará o isolamento das partes que estão em conflito na região, que é o grande problema. Os contatos entre o brasileiro e o presidente do Irã, contudo, tem dificultado a aceitação do Brasil por Israel como mediador de um processo de paz na região, embora o brasileiro ainda esteja sendo observado pelos israelenses.

Apesar do presidente do Brasil ter ficado impressionado em sua visita ao “Memorial do Holocausto”, repetindo que outro acontecimento da natureza não deveria jamais ocorrer, em nenhum momento se posicionou contra o Irã, que tem negado o acontecimento.

Quando o assunto foi tratado, preferiu afirmar que tratará de conversar com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que este mantenha uma postura de defesa do uso pacífico da energia nuclear, para que aceite o Holocausto e repetiu que defendia o diálogo, quase afirmando que rejeita as solicitações israelenses.

O posicionamento dos brasileiros, em especial do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, é de que o constrangimento ao Irã radicalizaria o processo e poderá levar ao pior, no caso, uma guerra.

Para os analistas, contudo, ficou a lacuna de saber se o pior é a manutenção de uma política nuclear e desloca-la para fins militares, já que o Ministro afirma que isto ainda não está ocorrendo, ou uma ação imediata contra um inimigo próximo, no caso Israel, para desencadear uma guerra generalizada.

Observadores têm destacado, ainda, que existe uma interrogação sobre os motivos que levam o presidente brasileiro a participar de um processo que está distante de sua política interna.

Alguns têm afirmado que o objetivo é desviar a atenção das questões políticas e econômicas nacionais, neste momento em que está para se iniciar a campanha eleitoral presidencial.

Outros argumentam que o foco também é a campanha eleitoral, mas para buscar uma forma de apagar as críticas que a política externa brasileira tem recebido sobre os erros que foram cometidos al longo de 2009 e início de 2010, acreditando que o carisma do presidente poderá produzir algum efeito para ser contabilizado no processo eleitoral de sua candidata à sucessão.

Outros mais têm destacado que, além disso, há uma ambição pessoal do presidente para buscar uma projeção individual, que possa ser capitalizada no futuro, para si e para seu partido. De qualquer forma, esses críticos têm sido concordantes em que um erro de concepção, ou uma manifestação inadequada poderá produzir efeito contrário, pois a condição na região é diferenciada em relação aquelas sobre as quais Lula se posicionou até o momento. Por isso os seus riscos são muito superiores e tendem a produzir um fracasso difícil de ser medido, principalmente para o país.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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