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Mantendo estratégia de aproximação com a Europa, governo russo admite “Massacre de Katin” como ação dos soviéticos

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O governo da Rússia reconheceu oficialmente que o “Massacre de Katyn” foi perpetrado pelas forças da antiga “União Soviética”. O acontecimento, ocorrido em 1940, foi o fuzilamento de, aproximadamente, 22.000 oficiais poloneses nas florestas de Katyn, tendo ocorrido também  em Mednoia, na Rússia, e em Jarkiv, na Ucrânia, por oficiais soviéticos da “polícia secreta”, então chamada NKVD, que depois viria a ser a KGB.

O primeiro a reconhecer oficialmente o “Massacre” foi Mikhail Gorbachev, último presidente da “União das Repúblicas Socialistas Soviéticas” (URSS), responsável pelo início de sua dissolução, abertura do regime e começo da transformação do modelo político e econômico.

Na semana passada, a Duma (Câmara Baixa do Parlamento Russo) havia aprovado uma declaração em primeira instância reconhecendo que o “Massacre” havia sido ordenado por Stalin, líder dos país de 1924 a 1953.

As declarações ocorrem poucos dias antes da visita oficial que fará o presidente russo, Dmitri Medvedev, à Polônia (6 de dezembro de 2010) para tratar de questões de política externa e representa uma forma de encerrar um passado que pode atrapalhar o projeto estratégico do atual governo de colocar o país no ritmo do Ocidente.

Recentemente, foi acertado que a Rússia participará dos estudos para a construção do “Escudo Antimísseis da Europa”, o qual, na primeira configuração, seria construído na “República Tcheca” e na Polônia e tinha a Rússia como alvo. O governo russo aproveita o momento em que está resolvendo o antagonismo histórico com a “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN) para também encerrar os problemas históricos com os países europeus que estiveram sob  a “esfera de influência” da antiga URSS, caso da Polônia, reconhecendo os erros do regime soviético e garantindo a reaproximação dos dois povos e governos.

Alguns analistas russos acreditam que a atitude não deve ficar pela metade. Afirmam que o Presidente terá de exigir que os poloneses também reconheçam os massacres de russos ocorridos na décadas anteriores ao “Massacre de Katyn”, os quais resultaram em milhares de mortes, sendo os números superiores aos deste caso.

Essas manifestações, contudo, não modificarão a linha adotada de encerramento de contenciosos da Rússia com a Europa para que ela possa dar o salto de modernização que está no seu atual planejamento estratégico.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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