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Medvedev busca garantir sua posição na Rússia

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O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, demitiu nesta terça-feira, dia 28 de setembro, o prefeito de Moscou, Iuri Mikhailovich Lujkov, sob a alegação de  “perda de confiança”. A Constituição da Rússia define o direito do “Presidente da Federação” de demitir autarcas (líderes regionais e prefeitos), segundo as necessidades políticas, governabilidade e critérios de preservação da democracia. A preocupação de Medvedev, de acordo com o que tem sido alegado, é controlar a corrupção no país, iniciando um processo de “limpeza”, por meio do afastamento de autoridades sobre as quais há suspeitas de confusão entre as atividades públicas e seus negócios privados.

Pelas denúncias ocorridas ao longo de 2010, era o caso de Lujkov, cuja esposa é a mulher mais rica da Rússia e uma das mais ricas do mundo. Há acusações de que sua fortuna foi construída sob a tutela do Ex-Prefeito, que está no cargo há 18 anos. Na carta de demissão assinada pelo Presidente fica explícito que é uma medida que está se iniciando e pode ter continuidade, com várias outras demissões.

No documento consta:  “Eu, como presidente da Federação Russa, perdi confiança a Iuri Mikhailovich Lujkov, na qualidade de prefeito da cidade de Moscou. É difícil de imaginar que o presidente e o governador possam trabalhar junto quando o presidente, – supremo dignitário da Rússia,- não sente confiança em relação a um certo funcionário da administração pública ou ao dirigente de uma certa região do país. E foi precisamente isso que se deu. Deu-se pela primeira vez mas eu admito que semelhantes casos podem repetir-se. Tudo depende da situação concreta.

Analistas estão afirmando que, em realidade, trata-se de uma possível rota de colisão entre os dois principais lideres do país, Dimitri Medvedev e Vladimir Putin, atual Primeiro-Ministro e Ex-Presidente da Rússia. O problema são as eleições presidências de 2012, para a qual não está definido se haverá convergência entre ambos.

Acredita-se que Lujkov será processado por corrupção, pois, caso não ocorra, ele poderá se apresentar como candidato opositor ao atual Presidente e já está acusando-o de ser antidemocrático, iniciando uma guerra política que se estenderá pelos próximos dois anos.

Observadores internacionais e especialistas em Rússia afirmam que quando sair a indicação do seu substituto será possível identificar se Medvedev e Putin iniciaram o confronto, ou se ambos podem chegar a um acordo para levar a cabo o projeto de restaurar à Rússia o seu papel de grande potência, como uma das coordenadoras do atual sistema internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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