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Morales quebra Diplomacia e acusa EUA em reunião diplomática

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Na quarta-feira, dia 24 de novembro, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fez acusação contra EUA de preparar golpes na América Latina e quebrou o clima amistoso que reinava antes da abertura da “IX Conferência de Ministros de Defesa das Américas”.

Analistas estão afirmando que a atitude, apesar de visar manter o “comportamento de esquerda revolucionária contra o chamado imperialismo norte-americano”, demonstrou uma quebra do comportamento diplomático comum aos encontros que envolvem “Ministros de Estado”, pois representa a extinção de oportunidades de Cooperação e Acordos entre países.

Segundo observadores, o presidente boliviano colocou o “Secretário da Defesa do EUA”, Robert Gates, numa situação constrangedora, ao declarar que o norte-americanos foram os responsáveis pelos movimentos políticos ocorridos na Venezuela (2002), na Bolívia (2008), em Honduras (2009) e no Equador (2010), chamando-os de tentativas de “Golpes de Estado”, e afirmando que “houve vitória dos norte-americanos apenas em Honduras”.

De acordo com os analistas, o discurso reduz os problemas do continente a uma luta entre o “bem” e o “mal”, comportamento normalmente associado a líderes belicistas que levam à desestabilização das relações entre os povos.

Outros afirmam que a forma de tratar a questão, diminui os problemas políticos, econômicos e sociais da região às dimensões da interferência estrangeira, como se os países fossem compostos por nações homogêneas, não houvesse diferenças internas, nem tivessem ocorridos erros próprios dos líderes específicos de cada país na condução das políticas públicas e em seus projetos de poder, atribuindo o mal ao exterior, identificado no caso com os EUA. Ou seja, analistas têm destacado que o discurso é uma interpretação ideológica e reducionista da realidade social e da história do continente.

O Secretário norte-americano manteve a postura e ouviu todo o discurso sem se manifestar, ao menos publicamente, já que discursou na “Reunião de Ministro” de portas fechadas em outra ocasião. Após o discurso de Morales, ele se retirou sem dar declarações à imprensa.

Alguns observadores estão apontando que está sendo articulada por algumas lideranças regionais uma estratégia para segurar o processo que está ocorrendo na America Latina, em especial na America do Sul, necessária graças às dificuldades internas pelas quais estão passando a Venezuela e o Equador, dois dos três principais atores do grupo bolivariano, ao lado da Bolívia, que são  os fomentadores dos rumos políticos da região.

Segundo entendem, os mandatários deste países e dos demais que se posicionam como bolivarianos, ou socialistas, aproveitam-se das preocupações e manifestações dos EUA e das “grandes potências” acerca de suas políticas externas de enfrentamento permanente e, em especial, acerca das relações que estão sendo estruturadas entre Bolívia, Venezuela e Irã, para confrontá-las, buscando, pela confrontação com o inimigo do exterior, a coesão interna em seus países.

No domingo, dia 21 de novembro, Gates havia dado declaração de que estes dois países sul-americanos (Venezuela e Bolívia) “precisam ter muitíssimo cuidado pela forma como interagem com os iranianos e ter cuidado com o que os iranianos querem”, pois está sendo observado o interesse do governo do Irã de obter fornecimento de urânio para enriquecimento dentro do país, além do simples apoio para o seu “Programa Nuclear”.

A declaração irritou Morales que respondeu no dia seguinte, 22 de novembro, que “terá relação com a nação que quiser”, pois ninguém pode proibir seu Governo de exercitar a “cultura do diálogo”.

Exatamente por esse argumento, os intérpretes afirmam que a postura do líder boliviano é contraria à sua declaração e está sendo vista como uma forma de criar fatos para adotar medidas rígidas no futuro.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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