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Mujica e Morales discutirão uma “saída boliviana” para o mar

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Está previsto um encontro entre os presidentes do Uruguai, José Mujica, e da Bolívia, Evo Morales, nesta próxima sexta-feira, dia 12 de março de 2010. De acordo com os respectivos porta-vozes, serão discutidos vários temas, contudo os dois mais importantes serão: (1) o fornecimento de gás boliviano ao Uruguai, aumentando as exportações para este país, e (2) a possibilidade de construção de portos bolivianos permanentes no Uruguai, para criar um canal boliviano de exportação dos seus produtos.

Com relação ao gás, Morales precisa diversificar a cartela de clientes para este, ou aumentar o fornecimento para os clientes tradicionais. Os anúncios e declarações do governo brasileiro (principal comprador da Bolívia) de quase autonomia do Brasil em relação ao fornecimento do gás boliviano, são indícios de que a Bolívia sofrerá um impacto forte, no caso da não eleição de Dilma Roussef como Presidente da República. Ela, como “Ministra Chefe da Casa Civil” do atual governo brasileiro, é a candidata da continuidade desta política externa brasileira.

Morales parece estar se preparando para isto. Ele estampa a preocupação de construir uma alternativa ao possível cenário de ter, em 2011, um governo brasileiro não simpático a si, podendo, às vezes, ser mesmo hostil.

Com relação à criação de portos bolivianos no Uruguai, o elo entre o território boliviano e os “seus portos” a serem instalados no território uruguaio (configurando aquilo que está sendo chamado de o “mar territorial da Bolívia”) será a hidrovia Paraguai-Paraná, uma infra-estrutura compartilhada com Argentina, Paraguai e Brasil, além de Bolívia e Uruguai. É uma situação desconfortável, mas o presidente da Bolívia terá de investir nesta saída, pois está ficando explícito o cenário de que Morales evitará as negociações com o Chile e com o Peru para a retomada do mar territorial perdido no início do século XX.

Com eleição de Sebastián Piñera, cuja posse como Presidente chileno ocorre amanhã, dia 11 de março de 2010, dificilmente o assunto será tratado de forma tranqüila, como era no período do governo de Michele Bachelet, apesar de a mandatária ser firme no fato de não ceder o território, agora chileno, aos bolivianos. No entanto, ela negociava a possibilidade de criar um corredor para a Bolívia, cedendo-lhe um porto, o qual incrementaria sua logística e estimularia as exportações bolivianas.

O encontro com Mujica, resultará em várias negociações, pois o cenário que se avizinha para os bolivarianos da América do Sul (Venezuela, Equador e Bolívia) não é tão ameno quanto foi em 2008 e 2009. Aponta no horizonte a derrota dos Kirchner na Argentina; problemas com Lugo, no Paraguai; além da tão temida possibilidade de derrota de Dilma Roussef, no Brasil.

Ocorrendo este pior cenário, para as suas perspectivas, eles ficarão isolados. Como suas economias são fracas, já que pouco diversificadas e sendo forçadas a dar suporte às políticas  assistencialistas desses governos, não será surpreendente que aumentem as manifestações e oposições aos governos bolivarianos, mesmo no caso da Bolívia, que está apresentando um elevado índice de aceitação.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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