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NAOTO KAN ASSUME, DESAFIOS PARA O FUTURO DO JAPÃO

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O Japão firmou seu representante no cargo de Primeiro-Ministro. Naoto Kan venceu uma disputa interna no “Partido Democrático do Japão” (PDJ), de centro-esquerda. Ele terá pela frente desafios diplomáticos, econômicos e contará com forte apoio nacional. O Primeiro-Ministro se firma frente ao governo japonês em um momento de desafios futuros, em termos da posição e importância do país no continente e no mundo.

 

Após uma seqüência de trocas de Primeiros-Ministros, ocorrendo uma alternância por três vezes, Kan venceu uma disputa acirrada contra seu rival Ichiro Ozawa, um dos políticos veteranos de maior influência no PDJ.

Ele se manteve no cargo com um apoio popular superior ao de seu concorrente, atingindo um eleitorado diferente no Japão: os jovens eleitores, que, em algumas regiões, é um dos principais objetivos de políticos de diferentes ramificações e legendas.

Nas eleições internas do Partido, os números surpreenderam alguns analistas, pois Kan obteve 721 pontos, sendo que seu concorrente não chegou a ultrapassar os 491, em uma eleição de cálculo complexo, pois levam-se em conta, como participantes da votação, 411 parlamentares (deputados e senadores), 2400 eleitos locais e, aproximadamente, 340 mil militantes do PDJ.

Naoto Kan poderá dar continuidade aos planos de recuperação econômica, sobre os quais ele vem se debruçando desde julho deste ano, quando assumiu o cargo no lugar de Yukio Hatoyama, o qual se demitiu por perder o apoio popular.  O atual cenário de instabilidade em termos de segurança na Ásia e a situação econômica japonesa aumentam os desafios do governo.

Para a política externa japonesa, voltada para a Diplomacia, o país vem acumulando pequenas, mas “desconfortáveis” discordâncias em tensos diálogos com a China, um importante ator para a recuperação econômica do Japão.

Além dos vizinhos chineses, um desafio para o governo é manter as relações saudáveis com os Estados Unidos na questão da presença militar estadunidense no país, um dos motivos de protestos da população do país, principalmente em Okinawa, algo que é considerado por alguns analistas como “uma dependência militar japonesa” em relação aos militares norte-americanos para garantir a segurança nacional do Japão.

Até o momento, o governo japonês vem honrando os acordos firmados com o governo dos EUA durante a antiga administração de Hatoyama. Com os recentes acontecimentos no continente, como as tensões na “península coreana”, está sendo reforçado o discurso favorável à presença norte-americana no país. Mesmo porque, a “dependência” considerada decorreu da política japonesa de não investir em “Forças Armadas”, além das “Forças de Auto-Defesa”, com o objetivo  de manter  uma política pacificadora e contra armas nucleares no mundo.

Para a China, o país ainda sofre com altos e baixos na Diplomacia. As relações sino-japonesas se tornam mais delicadas em disputas territoriais no “Mar da China Continental”, pelos direitos de exploração de recursos na região.

Algumas questões comerciais ainda são discutidas para a resolução de assuntos fito-sanitários, proteção de direitos autorais e prevenção contra a pirataria, sendo a Cooperação o caminho adotado por ambas as partes, algo que vem se desenvolvendo em nível considerável.

Além das questões diplomáticas, o país passa por um momento econômico delicado. Recentemente perdeu a posição de segunda maior economia do mundo para a China e com a instabilidade econômica e cambial, estima-se que o poderá ter mais perdas.

O atual cenário interno exige a atenção especial ao combate ao desemprego, a questão dos impostos e a necessidade de projetos para o desenvolvimento. Segundo o professor Mikitaka Masuyama, do “Instituto Nacional de Ciências Políticas”, em entrevista dada à “Agência Nacional de Notícias” japonesa NHK,  Kan poderá conceder aos correligionários de Ozawa cargos do Gabinete e no Parlamento, a fim de evitar que estes enfraqueçam os esforços na redução dos gastos públicos e para auxiliar no debate sobre as possibilidades de aumento dos impostos no consumo.

Para ele e outros analistas, os esforços de Kan devem seguir para o campo econômico, criando mecanismos para manter a estabilidade do Iene japonês (moeda japonesa), que, com suas constantes oscilações, vem afetando de forma negativa o mercado de ações e a economia do país. A experiência do Primeiro-Ministro com a economia foi um dos pontos favoráveis na sua vitória.

Segundo Kan, seu governo irá trabalhar com cooperativamente entre parlamentares e outros setores internos e com a “Cooperação Internacional” para resolver os problemas atuais e possíveis problemas futuros do país na região e no mundo.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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