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NEGATIVA DE BAN KI-MOON SOBRE O ANÚNCIO DO RELATÓRIO DE HONDURAS MOSTRA QUE HÁ DIVERGÊNCIAS NA ALTA CÚPULA DA ONU

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O Secretário Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Ban Ki-Moon negou que a Organização esteja acatando a legalidade do afastamento do ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya. A declaração foi feita algumas horas após o anúncio na imprensa hondurenha e na imprensa internacional de que circulava na alta cúpula da ONU um parecer realizado pelo Departamento de Assuntos Políticos da Organização das Nações Unidas (ONU), a respeito das razões do afastamento de Zelaya com o seguinte teor: “foi constitucional e de acordo com as leis do país”.

As razões apresentadas pelo Secretário Geral, por intermédio do porta-voz da entidade, Farhan Haq, é de que na ONU existem diversos analistas, intelectuais e diplomatas realizando estudos e oferecendo pareceres, mas isso não significa que a Instituição adote qualquer um deles, pois o posicionamento do Organismo continua sendo o definido na reunião da Assembléia Geral, de acordo com a Resolução aprovada no dia 1 de julho, que determinou pela ilegalidade e ilegitimidade do afastamento do ex-presidente hondurenho e exigiu o retorno de Zelaya ao cargo presidencial.

Foi anunciado, ainda, que todos devem tomar cuidado com o que está sendo divulgado na imprensa hondurenha, uma vez que podem estar sendo apresentadas informações com o intuito de dificultar a avaliação e o desenvolvimento do processo. Ou seja, apesar de não ter sido usada essa expressão, o que se desejou falar é que pode estar sendo adotado o procedimento das ‘operações psicológicas’, pois, de acordo com o porta-voz, da ONU, o Secretário identifica que, neste momento, quaisquer distrações afetarão o processo de negociação que está em andamento.

O fato que emerge é a utilização das estratégias que possam ser usadas favoravelmente às partes. A declaração do Secretário Geral da ONU pode significar que, apesar de apoiar Zelaya e declarar pela sua restituição ao poder, a entidade não está monolítica no posicionamento adotado até o momento e isso acabou sendo usado pelo governo hondurenho com o anúncio feito no país e disseminado para a sociedade internacional.

Tanto quanto na OEA (Organização dos Estados Americanos) podem surgir ações beneficiadoras ao atual governo de Honduras, uma vez que o problema maior que ele está enfrentado, da perspectiva estratégica-política, é a realização das eleições em 27 de novembro deste ano.

Partidários de Zelaya anunciaram que este pode aceitar não querer se reeleger e manterá a Constituição intocada. Assim, sua única exigência será o retorno ao cargo, como forma de sair da crise de maneira honrosa.

Micheletti  e seus partidários recusam terminantemente o retorno de Zelaya, no entanto, de acordo com o anunciado hoje, se chegou a um texto para ser analisado por ambas as partes e a resposta dos dois protagonistas sairá nos próximos dias.

A OEA está anunciando que, sem o retorno de Zelaya ao poder, não reconhecerá às eleições hondurenhas, embora esta afirmação seja forte, diante da fissura que tem ocorrido na entidade, desde que os norte-americanos criticaram as ações do Brasil e o Congresso dos EUA passou a analisar a situação do atual governo hondurenho de forma positiva.

Duas podem ser as alternativas, mantendo os principais pontos do Acordo de San José*: ambos (Zelaya e Micheletti) são afastados e assume um terceiro nome, apresentando-se cada parte como um defensor, ao seu modo, da integridade do país. Ou Zelaya retorna ao cargo sob estrito controle político, não podendo interferir diretamente na condução do processo eleitoral e aceitando a condução da política pelo Congresso e pela corte Suprema. Seria uma espécie de retiro final, enquanto as eleições caminham para o desfecho.

De acordo com os deputados brasileiros que foram a Honduras, o povo é majoritariamente favorável ao atual governo. Se essa informação for correta, em qualquer situação Micheletti sairá vencedor, pois, após as eleições, dificilmente não ocorrerá o desgaste de Zelaya ,que poderá ser visto como o grande causador de uma das principais crises políticas ocorridas no país.

* Para obter detalhes do Acordo de San José, consultar as demais notas do CEIRI sobre a “Crise Política de Hondura”.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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