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A China é um dos países integrantes do grupo denominado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), cujas relações comerciais e políticas com os países africanos seguem em crescimento.

Nos contatos entre esses países, as relações de investimentos da China com a áfrica são as que mais ganham à atenção no cenário internacional, devido aos interesses chineses no continente africano.

 

Para vários analistas, eles estão interessados apenas nas riquezas e matérias-primas da região. Por isso, questionam às relações de Beijing com o continente africano, focando especialmente os problemas dos Direitos Humanos.

Em análise de conjuntura publicado no site do CEIRI no dia 9 de novembro, intitulado “BRIC EM DISPUTA PELAÁFRICA”, consta a resposta do Primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, discorrendo sobre os interesses de seu governo na África: “O povo chinês oferece amizade verdadeira ao povo africano e o apoio da China ao desenvolvimento da África é concreto e real“. Essa frase foi uma resposta às críticas promovidas antes da realização do “Fórum de Cooperação China-África”, realizado no dia anterior, 8 de novembro.

Para a investigadora zimbabuana do “Centro Alternativo de Informação e Desenvolvimento” (AIDC, sigla em inglês), Dot Keet, é necessária “maior transparência” nos acordos firmados entre as nações africanas e a China. Ela fez sua defesa durante a “Conferência Regional Sobre o Investimento Chinês na África”, realizada no dia 30 de novembro, nesta segunda-feira.

Deve haver mais transparência nos acordos bilaterais entre os governos africanos e a China”, até porque a “maior parte dos governos africanos não são transparentes”, por isso, os documentos “têm que ser postos à disposição do público”, pronuciou Dot Keet, durante a apresentação do tema “Perspectivas para o compromisso africano com a China”.

O debate sobre os investimentos chineses na África é um dos assuntos que fazem parte do dia-a-da das Organizações Não Governamentais (ONGs) africanas, que temem um “neocolonialismo” por parte dos países em desenvolvimento, os quais estão promovendo projetos com investidores chineses.

A política externa de Beijing para a África é uma política de aposta no desenvolvimento desses países, sem apresentar quaisquer tipos de imposições, política que é vista pelas nações ocidentais como uma forma velada de neocolonialismo.

Dot Keet diz que os africanos devem, coletivamente, “desafiar a China a indicar as suas intenções amigáveis. A África deve impor requisitos fortes e claros (nos negócios). Se a China aceitar isto ela é nossa parceira”, mas se agir de forma contrária, “estará a agir como um neocolonialista”.

Keet se posicionou de forma a alertar as nações africanas, não apenas pelas políticas do governo e de investidores da China, mas também pela propaganda das nações ocidentais concorrentes do gigante asiático, quando dizem que a China tem intenções “maléficas”.

É melhor ter um olhar cauteloso em relação às críticas ocidentais. A Índia tem maior investimento do que a China (nos países pobres), mas não atrai tantas críticas como a China”, exemplificou.

É essencial que os africanos evitem ser influenciados por comentários críticos provenientes de países e governos ocidentais, que (também) fomentam práticas neocolonialistas. Isto reflete algum modo de ser destes países e governos”, por isso, “temos (os africanos) que estar cautelosos com os nossos parceiros ocidentais”, insistiu Dot Keet.

Para ela, as nações africanas devem realizar mais acordos em bloco e não se focar apenas em acordos bilaterais. A África deve “adotar medidas protetoras em relação à China e às companhias estrangeiras”, ocidentais.

A política externa chinesa para o continente, chamada de “aposta no desenvolvimento”, em um pensamento de longo prazo, pode gerar benefícios mútuos. O modelo é o que ocorre nas relações com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que tem um país (Macau) como um intermediador das suas relações com esses países e outro país (Angola) como um pólo de intensas relações comerciais.

Não há duração suficiente para se concluir acerca de um neocolonialismo da China no continente, no entanto, os chineses estabelecem relações de grande amplitude temática, desde socioculturais até comerciais, as quais são um poderoso diferencial para facilitar nos acordos, sejam bilaterais, sejamem bloco. Aparentemente, o governo chinês tenta fortalecer ao máximo suas relações sem criar uma imagem negativa, algo que, até o momento, está produzindo resultados positivos.

Apenas com o tempo, quando houver algum desenvolvimento nos países africanos e também alguma consolidação das relações entre o continente e Beijing, será possível compor um cenário com elementos as partir dos quais possa ser observado se ocorrerá efetivamente um neocolonialismo chinês na África.

As relações sino-africanas continuarão sendo motivo de novas críticas das nações ocidentais e dos países “adversários” da China no cenário internacional, mas o foco apenas neste país fará com que se esqueçam os demais integrantes do BRIC, que estão ganhando cada vez mais força nesta região do globo e agindo de forma semelhante.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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