LOADING

Type to search

NO INÍCIO DAS VISITAS PELA REGIÃO, HILLARY CLINTON SE PRONTIFICA A MEDIAR O CONTENCIOSO DAS FALKLANDS/MALVINAS. É O PRIMEIRO RECADO PARA O BRASIL

Share

A Secretária de Estado do governo dos EUA, Hillary Clinton, fez elogios à postura da Argentina em relação ao problema iraniano. Aproveitou o momento e colocou-se à disposição para mediar o atual contencioso entre argentinos e britânicos, em relação às ilhas Falklands/Malvinas.

Analistas ainda especulam sobre as razões deste pequeno percurso pelo continente, afirmando que não há plano específico e definido para configurar a nova política externa dos EUA na região. Os objetivos, contudo, são mais amplos que os de estabelecerem, reafirmarem ou recuperarem relações com os países que estão sendo visitados.

 

É possível perceber que estão nos planos fincar posicionamento em pontos importantes para, ao longo de 2010, serem usados como bases na contenção da oposição aos EUA, além de poderem servir como centros disseminadores dos interesses estadunidenses.  

Os parceiros já consagrados não precisam de um contato no momento. Os inimigos declarados (Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e Cuba) já adotaram postura com poucas chances de modificação. Assim, os países visinhos a estes opositores precisam ter as suas relações com os EUA solidificadas pelos norte-americanos para impedir à expansão da contraposição existente para as regiões contíguas.

Uruguai e Chile mostram-se como bases que precisam ser criadas e/ou cultivadas. Os chilenos estão em situação mais confortável para os norte-americanos, com a eleição de Sebastián Piñera para Presidente da República.

O Uruguai, por sua vez, deve ser cultivado e há espaço para isto, pois, apesar da continuidade de um governo de esquerda, com a escolha de José “Pepe” Mujica, a eleição não foi tão simples como se divulgou na mídia e o mandatário anterior (Tabaré Váquez) a quem se atribui a responsabilidade pela vitória do atual Presidente, sempre acenou para os norte-americanos com a possibilidade de amplas alianças entre ambos.

Neste sentido, os dois países visitados, mais o Peru e a Colômbia (aliados automáticos  atuais) podem fazer o contraponto aos três bolivarianos, opositores diretos dos estadunidenses na América do Sul, desde que, no Uruguai, o ímpeto de esquerda do atual Presidente seja controlado.

Também será importante deixar aberta uma porta de negociação favorável com a Argentina, diante da possível derrota eleitoral do atual grupo governante na próxima eleição presidencial. Acrescente-se o fato de ser essencial que uruguaios e chilenos contrabalancem, favoravelmente aos EUA, ou fiquem neutros,  quando começarem os abalos políticos que podem ocorrer no Paraguai, ainda no primeiro semestre de 2010.

Neste primeiro contato com a América Latina, no ano de 2010, a região da América Central já tem a situação de Honduras resolvida. Necessário se faz manter o posicionamento da Costa Rica (que tem nova presidente em 2010) e na Guatemala.

Percebe-se que os EUA voltaram a pensar a região geopoliticamente,  investindo nas aproximações bilaterais e nos primeiros passos de uma difusa “estratégia da contenção”.

O Brasil é outro tipo de problema. Os norte-americanos perceberam que este pode se tornar um oponente significativo, apesar de não haver conflito e sim oposição em alguns setores. A questão primordial surge do fato de os brasileiros não estarem convergindo com EUA em relação às necessidades vitais destes e estarem adotando diplomacia confrontadora.

Para os norte-americanos, o ideal é negociar e pressionar para que o Brasil se posicione mais próximo dos grandes do sistema internacional nos pontos que são essenciais para preservar o equilíbrio da sociedade internacional. Assim, ele participará, realmente, do trabalho de coordenação do sistema, poupando energias tanto para os estadunidenses, quanto para os europeus, embora mais aos primeiros.

Como o governo brasileiro não tem feito isso, investindo num novo “independentismo”, com prioridade sul-sul, o governo dos EUA está buscando, enquanto é possível, o reforço e a reaproximação diplomática.

Tentará cortejar o Brasil. Em seguida, mostrará que há possibilidades de este conseguir o que deseja. Depois, buscará aproximações bilaterais, para efetivar acordos comerciais e parcerias políticas.

Cumprindo estas metas, conseguirá manter os brasileiros separados do grupo bolivariano, algo essencial para conter a ambos, o grupo e os brasileiros. Neste primeiro momento, estão sendo feitas aproximações e a preparação de terreno, até a vinda de Barack Obama ao Brasil e sair o resultado das eleições presidenciais brasileiras, em outubro de 2010, a qual definirá os rumos e substância deste planejamento, bem como a sua velocidade.

Um sinal de que o governo estadunidense agirá de forma mais rígida e incisiva, caso os brasileiros se mantenham indiferentes aos apelos dos EUA, foi dado na reunião entre Hillary e Cristina Kirchner, quando a norte-americana se ofereceu para mediar o problema com os ingleses.

Mais que uma busca de aproximação com os argentinos, isso foi um aviso ao Brasil. De forma mais direta, o recado foi: ajam como se espera de um grande no continente. Sejam os mediadores, ao invés de tomarem parte a priori e se posicionarem ideologicamente. Busquem parcerias e acordos bilaterais. Evitem o Bloco bolivariano e não nos confrontem naquilo que nos é essencial, pois, senão, assumiremos outra postura e agiremos diretamente no quintal de vocês, fazendo aquilo que naturalmente vos caberia.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.