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NO JAPÃO, A OPINIÃO PÚBLICA SE POSICIONA CONTRA O GOVERNO E QUER SABER QUAL SERÁ O FUTURO DOS MILITARES NORTE-AMERICANOS EM OKINAWA

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O ano de 2010 será mais um ano tenso para as relações da população japonesa com o seu Governo, a respeito da presença militar norte-americana no Japão. A indecisão quanto ao futuro dos mariners na região de Okinawa torna mais negativa a opinião pública do país em relação aos EUA e deixa o governo japonês em uma situação complicada.

 

Durante o ano de2009, arejeição do povo à presença dos norte-americanos aumentou consideravelmente, graças ao número de questões envolvendo estes militares e os cidadãos do país, tendo ocorrido, inclusive, a morte de civis.

Os incidentes aumentaram a pressão de ambientalistas e políticos locais sobre a nova administração do governo nipônico, que, durante a campanha de Yukio Hatoyama, atual Premiê, destacou a resolução deste caso na região e, por essa razão, obteve a maioria dos votos.

Isso demonstrou a confiança que lhe tem a povo do Japão para a revisão deste Acordo sobre a mudança da base para outro local, até 2014, o qual foi assinado pelos governos anteriores de ambos os países. Ocorreu em 2006, quando houve a negociação para a realocação da Base Aérea norte-americana para outra cidade, ainda que na região de Okinawa.*

Hatoyama se comprometeu em revisar o acordado, concordando com a opinião pública em seu país, mas obteve forte rejeição por parte dos EUA acerca da mudança da Base, ou encerramento da presença militar no Japão.

No ano passado (2008), antes da visita do presidente Barack Obama ao Japão, houve uma série de movimentos em protesto contra os EUA e seus 47.000 soldados em Okinawa.

Na época, Yoichi Iha, prefeito de Ginowa, declarou: “Eu solicitei expressamente ao primeiro-ministro (Yukio) Hatoyama que diga ao presidente Obama que não precisamos de outra base americana”. E acrescentou “Eu pedi que Hatoyama tome uma decisão corajosa para acabar com o fardo de Okinawa”.

A decisão quanto ao futuro da presença militar dos EUA em território japonês foi adiada para este primeiro trimestre de 2010, o que aumentou à rejeição que a população começou a desenvolver contra o seu governo, além da que já manifesta contra os EUA.

A opção do meio termo, que tem sido à transferência da Base dentro da mesma província, é aceita pelo Chanceler Katsuya Okada.

Atualmente, está em estudo a possibilidade da mudança desta base para outra região, porém, a questão ambiental dificulta uma rápida decisão, pois é necessário um lugar em que o impacto ambiental não seja grande.

Hatoyama está sob a pressão de responder adequadamente às exigências da opinião pública (pois, diante da possibilidade de executar o Acordo de 2006, os índices de rejeição à sua administração estão aumentando) e estreitar as relações nipo-americanas. 

Mas, como disse o cidadão Yonamine Yoshiko, de 64 anos, que compareceu nos protestos contra a presença militar americana, “Os moradores de Okinawa votaram no novo governo pensando que iriam se livrar da base. Eu não acho que ele nos possa trair agora”. E completou, “durante os últimos 64 anos nós fomos pacientes. Se a nova base for criada, isso significará que nosso sofrimento vai continuar por mais 50 ou 60 anos?, referindo-se à derrota do Japão em 1945, quando se iniciou a ocupação pelos militares americanos.

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*Ver as notas analíticas publicadas no site do CEIRI: “As reivindicações de Hatoyama para com EUA e em relação à Rússia”, do dia 19 de novembro, e “Futuro das bases americanas no território japonês”, publicada no dia 16 de novembro.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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