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Nomeação de vice-presidente no Irã gera questionamentos sobre unidade da ala conservadora

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Sites e jornais anunciaram ontem, 19 de julho, que o primeiro vice-presidente iraniano, Esfandiar Rahim Mashaie, renunciou três dias após ter sido indicado por Mahmud Ahmadinejad, o presidente reeleito do Irã, em 12 de junho, passado.

 

Segundo os jornais, a renúncia ocorrera devido às críticas feitas pela ala mais conservadora do governo iraniano, especialmente pelo Líder Supremo Ali Khamenei. Teriam ocorrido pressões devido ao fato de Mashaie ter declarado, faz um ano, que o Irã é amigo de Israel e não tem hostilidade contra o seu povo.

Hoje, desde as 6 horas da manhã, os jornais do mundo inteiro estão informando que o vice-presidente está negando as informações e afirma que tais anúncios tem o objetivo de desacreditar o governo para tentar desestabilizá-lo.

Alguns pontos necessitam ser ressaltados. Inicialmente, fica transparente o fato de, apesar de a imprensa ter deslocado suas atenções para o presidente reeleito, bem como para o seu discurso, o foco deve ser dado aos que realmente controlam o sistema político: o Líder Supremo (que é o chefe das Forças Armadas; nomeia o chefe do poder judiciário, o chefe da segurança interna, os líderes das orações da sexta-feira, o diretor das estações de rádio e de televisão; seis dos doze membros do Conselho dos Guardiões, os 22 membros do Conselho de Discernimento e tem poder sobre o Presidente, podendo afastá-lo); e a Assembléia dos Peritos (eleitos pelo povo, todos são clérigos, elegem o Líder Supremo entre eles, supervisiona seus atos e pode afastá-lo).

No momento da eleição, a preocupação mundial era com a possibilidade de se manter no controle do governo (não do Estado) um líder ultra-conservador, cujo discurso é belicoso e ameaça não apenas Israel, mas também os EUA e todo o Ocidente. Curiosamente, após o resultado eleitoral, foi dado destaque especial às reivindicações populares feitas ao Líder Supremo e demais membros da ala conservadora para que refizessem a contagem dos votos devido as suspeitas no pleito, esquecendo que não convém ao sistema iraniano contraposições a atual conduta da política, seja por quem for. Ou seja, as reivindicações populares não têm condições de surtir efeitos, pois Ahmadinejad é apenas uma peça no processo, que pode ser descartada, desde que os conservadores tenham outra personagem que se disponibilize como canal para expressar em discursos e projetos os pensamentos e planejamentos dos líderes do Estado iraniano.

 

Três são as hipóteses: a primeira, de que está sendo feito um trabalho de operações psicológicas para gerar desestabilização no governo. Segunda, que está sendo feita uma encenação de que o presidente está caminhando numa linha menos radical e está concretizando isso na busca por membros para o governo com o intuito de reforçar seu discurso de que uma nova era se iniciará no país, com mais ênfase à questão econômica, ao emprego e a habitação, sendo necessário também reduzir a crítica internacional.

A terceira hipótese é de que a escolha de um membro para compor o governo que tenha discurso de confrontação à linha estatal mostra que começam a aparecer cisões internas. Da mesma forma, traz a imagem de que Ahmadinejad deseja esclarecer quem é o responsável pela definição dos discursos apresentados pelo governo e pretende se destacar do grupo, já que tem de resolver o problema das manifestações populares que continuam no país, apesar das medidas repressivas que o tenham beneficiado até o momento. Caso não se desvincule da responsabilidade total pela repressão, será o primeiro a ser descartado. O fato de o indicado, Mashaie, ter laços familiares com o presidente, já que sua filha é casada como um filho de Ahmadinejad não tem o peso maior.  Esta terceira hipótese parece mais plausível.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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