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O ACORDO ASSINADO POR IRÃ-BRASIL-TURQUIA / (PARTE – 3 / O que deveria gerar Paz está gerando mais tensão)

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Até o momento, aquilo que deveria ser uma ação para gerar a Paz no sistema internacional está produzindo o efeito contrário nas relações entre os Estados. Analistas do Brasil e do mundo têm se dividido e levantado, indiretamente, que a conduta brasileira, apontada pelos membros do governo como aquela que traria estabilidade pela forma de seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, conduzir negociações, passou a mostrar elementos de imposição, similar às que o governo do Brasil acusa nas grandes potências, contrariando o que a sua equipe governamental tem dito acerca da forma brasileira de se conduzir diante dos povos.

 

O fato que está emergindo em relação à corrida brasileira para o Acordo foi o que observadores têm destacado: a diplomacia brasileira decidiu ignorar o trabalho de consenso internacional sobre a conduta em relação ao Irã e colocou as grandes potências mundiais no papel de algozes, numa situação em que não pode afirmar seguramente se o Irã é vítima, tal qual está declarando, nem pode garantir se ele cumprirá o Acordo, conforme pode ser observado no documento divulgado pela mídia.

O cenário, que antes era de busca pela harmonia passou a adquirir termos de confrontação direta entre EUA e Brasil, que assumiu o comportamento de líder de fato dos países emergentes, confundindo com objetivos de Estado a projeção adquirida pelo seu presidente, dentro de uma estratégia política específica.

A questão, embora não tenha sido destacada diretamente pelos observadores, está assumindo outro contexto. Analistas passaram a não mais questionar os interesses do Irã, pois são sabedores de que seu desejo é “ganhar tempo” para concretizar um projeto, configurado no “Programa Nuclear”, o qual pode se estender para além da aquisição de tecnologia com fins pacíficos.

As grandes potências, na condição da dúvida sobre o projeto, solicitam esclarecimentos que são recusados e, mesmo diante das sanções*, tem mantido o comportamento de dar continuidade ao projeto sem alterações, nem negociação.

O fato de terem aceitado negociar neste momento inverteu as acusações sob a nomenclatura de intransigência e foi neste ponto que a presença do Brasil tornou-se o fator de desequilíbrio. O governo brasileiro, em sua estratégia própria passou a agir como confrontador direto do G5+1 e, de acordo com interpretação que agora começa a se disseminar, está sendo usado para desviar os focos do combate, dividindo os esforços das grandes potências.

EUA e europeus terão um debate em três frentes agora claramente definidas, tornando-se o Brasil uma delas. País identificado como pacífico, não percebeu que está sendo envolvido em conflito com alto grau de periculosidade e associado a um regime com acusações comprovadas de desrespeito pelos direitos humanos e à democracia.

A pretensão do Brasil começa a gerar especulações, apesar dos elogios diplomáticos que têm recebido. O procedimento normal de qualquer setor de Relações Exteriores e Diplomáticos dos países do mundo é fazer os elogios por esforços de negociação, tal qual está ocorrendo, mas, os profissionais da área, em suas experiências sabem, ou entendem que isto nada significa além de passo de espera.  

O mundo começa também a especular sobre as razões pelas quais o Brasil tem se esforçado nesta empreitada. Da Alemanha vêm as suspeitas de que o propósito brasileiro é desenvolver o seu próprio projeto nuclear para o desenvolvimento da Bomba Atômica. Dos países afetados diretamente pela ação do governo brasileiro, a suspeita é de que a política externa brasileira, que está sendo trabalhada com base numa diplomacia presidencial, por muitos considerado um modelo errado de diplomacia, começa a se configurar como “política externa presidencial”, significando isso que os interesses brasileiros passaram a se igualar aos interesses do seu Presidente, o qual pode estar sendo reduzido aos interesses políticos partidários desconsiderando os interesses do Estado Brasileiro.

Assim, desta perspectiva, estaria havendo a submissão dos interesses do Brasil às necessidades pessoais da equipe governamental do país. Neste grupo de interesses estariam desde a eleição da candidata do governo (Dilma Roussef) ao cargo de Presidente da República, até a entrada do Brasil como membro permanente no “Conselho de Segurança da ONU”.

Ambas estão sendo potencializadas pelos ganhos individuais do presidente Lula, que também já começava a perder pontos perante a comunidade mundial e investiu muitos recursos nesta empreitada, seja para conseguir o cargo de “Secretário-Geral da ONU” (Organização das Nações Unidas), seja, de forma mais ousada, porém com alto índice de probabilidade, de ganhar o “Prêmio Nobel da Paz”, algo que seria utilizado internamente da forma que melhor aprouvesse aos membros de sua equipe, dentro da estratégia organizada.

O cenário internacional, que caminhava para o equilíbrio recebeu um abalo. A China e a Rússia, de acordo com declarações de suas autoridades e análises feitas por pesquisadores, também buscavam a negociação, mas devido aos interesses econômicos diretos, já que ambas têm investimentos dentro do Irã, necessitam do fornecimento de energia para suas economias e há um projeto da disputa para a construção da linha de gasodutos que explorará as reservas de gás natural do Mar Cáspio, que obrigatoriamente tem de levar em conta o Irã e considerar os custos e os riscos de negociar com os eu regime. Algo que poucos estão tratando na mídia.

Analistas estão apontando que, se o mundo está louvando a iniciativa do governo brasileiro, à medida que passar o momento do clamor, tal qual ocorreu com Honduras, às peças começarão a se ajustar e os fatos emergirão, bem como as intenções e estratégias agora subterrâneas. A confirmar as suspeitas, os riscos que o governo brasileiro está correndo agora são excessivamente maiores e as perdas também e neste caso.

De acordo com observação de analistas, devido ao comportamento adotado pelo grupo governamental, que tem confundido os seus interesses próprios com os interesses do Estado e da sociedade brasileira, quem arcará com os prejuízos daquilo que já se começa a chamar de “aventura” será povo do Brasil, uma vez que, ao invés de proliferar amigos está começando a criar suspeitas e inimizades que antes não se concebia que seria capaz de ocorrer.

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* Já foram feitas três rodadas de negociações que resultaram nelas, embora se fale apenas das sanções.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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