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O ALERTA DAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS NA VENEZUELA, EM 26 DE SETEMBRO

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Analistas refletem sobre o que ocorrerá na Venezuela, agora que o PSUV, partido de Chávez, conseguiu apenas 98* do total de 165 parlamentares, nas eleições legislativas em 26 de setembro. A oposição sabe não poder restaurar o Estado Liberal-Democrático imediatamente. As razões são: (1) Não há liderança capaz de uni-la ideologicamente e agrupar o povo, como faz Chávez. A Mesa de Unidade Democrática (MUD) é uma Frente, com descontentes variados, por isso difícil de ter seqüência. Os novos líderes ainda são frágeis, não conseguindo mobilizar o povo para mostrar que a crise se deve ao modelo chavista. E não há um herói para mover o imaginário. Só assim é possível atrair a massa ainda hipnotizada pelo mito que grita contra os EUA e vai à TV vender eletrodomésticos; (2) o aparelhamento do Estado e das Instituições políticas e sociais pelo PSUV atingiu um grau que apenas a quebra do Estado ou um pré-caos social poderia atrair os que se beneficiam como funcionários, ou pelo assistencialismo.

 

Forçando a linguagem marxista-leninista, e contra um dos que se diz partidário deste ideário, seria necessário ter “condições objetivas” (país quebrado) e existir as “condições subjetivas” (setores conscientes de que a quebra se deve ao modelo chavista e ao “socialismo do século XXI” – neste caso não caberia a expressão “consciência de classe”). As objetivas podem ocorrer, mas as subjetivas estão engatinhando.

Os opositores buscam tempo para encontrar o líder e terão, já que, agora, Chávez se vê obrigado a ouvi-los. Neste momento, querem lutar no Congresso para impedir a implantação do socialismo e levar o Presidente às ações mais violentas, o que movimentaria a sociedade, dando-lhe condições de buscar a alternativa ao atual mandatário.

Chávez já está em campanha para às Presidenciais de 2012 e não queria perder sua força, perdendo o Congresso. Por isso, fez campanha permanente e se esforça em expandir o controle social. Nomeou 3.000 mulheres para serem às “Guardiãs de Chávez”. É o trunfo para “velar pela revolução socialista”, dando-lhes a função de “sinalizar desvios”, no PSUV, no Estado e nas instituições.

O quadro futuro é negativo, com mais perseguições e ações para controlar a sociedade, só que, agora, com o sucesso da oposição, usará de meios mais violentos. Como a oposição conseguiu as 67 cadeiras necessárias para impedir as duas maiorias qualificadas ao PSUV, de 2/3 (110 cadeiras) e 3/5 (99 cadeiras), a primeira para as “leis orgânicas”, que permitem mudanças estruturais, e a segunda para as “leis habilitantes”, que autorizam ao Presidente legislar e governar por decretos, o cenário tende à crise imediata, pois ela terá força para barrar Chávez em sua política interna e externa, que é parte da estratégia de governo. Neste segundo caso,  as  agressões às grandes potências serão combatidas, levando às medidas emergenciais para concluir planos e fechar Acordos.

Chávez está ameaçando a oposição e chamando-a para o confronto, com a solicitação de que exijam a revogação do seu mandato presidencial, já que ela afirma ter a maioria da população ao seu lado e a Constituição permite isso.

Analistas começam a anunciar que o presidente tentará usar de uma tática característica sua:  desconstruir lideranças acusando-as de crimes e realizando perseguições. A ação já se iniciou com María Corina, que está sendo acusada ter recebido doações da norte-americana “National Endowment for Democracy” (NED) e também da CIA, procedimento já realizado antes com outros líderes, jornalistas e empresários, acusando-os de “traição à pátria”, cuja punição chega a 10 anos em prisão.

Para o Brasil, caso Dilma Roussef (candidata do “Partido dos Trabalhadores” – PT) vença as eleições brasileiras, cenário visto como mais provável, Chávez reforçará as parcerias que existem para manter seu prestígio, tanto que em seu discurso realizado recentemente felicitou a ex-ministra pela provável eleição em primeiro turno, no dia 3 de outubro.

Caso vença o candidato José Serra (candidato do “Partido da Social Democracia Brasileira” – PSDB), os opositores de Chávez aumentarão suas reivindicações na Venezuela, pois seu Presidente não terá tanto respaldo e prestígio, uma vez que o posicionamento do Brasil é fator essencial no cenário regional, e isto poderá afetar as relações entre os dois governos. Independente dos resultados nas eleições brasileiras, os analistas estão de acordo que a situação mudará na Venezuela, mas o cenário que se vislumbra é de crise.

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* Ainda não foi divulgado definitivamente na Mídia o resultado final. O governo admitiu 98 cadeiras, mas foram feitos pronunciamentos de que foram apenas 95.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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