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O JAPÃO JÁ ESTÁ PROJETANDO SUAS FUTURAS RELAÇÕES COM A CHINA

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Durante o ano de 2009, ano em que a crise financeira global atingiu fortemente a economias de vários países, muitas nações buscaram estreitar as relações com a República Popular da China (RPC), tendo em vista as oportunidades geradas pela sua economia que não sofreu com a crise tanto quanto os demais.

Com o Japão, até então a segunda maior economia mundial, não foi diferente. O governo japonês viu o momento de também melhorar suas relações com a China, não apenas nas relações comerciais, mas também as relações diplomáticas.

 

Em questões comerciais e empresariais, o Japão está em contato com o governo da RPC para aumentar o número de acordos comerciais bilaterais. Este crescimento se deu devido à pressão do setor empresarial e comercial japonês sobre o seu governo, pois, segundo a visão empresarial, é fundamental que os empresários chineses aumentem os seus investimentos no Japão para manter a estabilidade em alguns setores, como o industrial e alimentar.

No dia 15 de dezembro, Xi Jinping, vice-presidente da China, em visita ao Japão, se encontrou com autoridades políticas e representantes comerciais e empresariais nipônicos para discutirem os laços entre as duas nações. Para os japoneses alcançar boas relações com a China, Jinping é uma chave fundamental para consolidar fortes laços entre as duas nações, tanto em curto quanto em longo prazo.

O vice-presidente chinês não é muito conhecido no Ocidente, pois até dois anos atrás, estava apenas envolvido em questões de política regional, mas ele é uma autoridade destacada pelos governantes japoneses, que o vêem como o futuro presidente da China.

Segundo Harunobu Kato, comentarista da TV estatal japonesa NHK, esta última visita de Jinping ao Japão foi uma reação aos apelos de setores da sociedade de seu país em seus esforços para estabelecer laços estreitos com o provável futuro líder da China.

A importância de se manter laços estreitos com Jinping e seu país é tão grande, que o vice-presidente chinês teve a honraria máxima oferecida a um visitante no Japão: encontrar-se com o Imperador japonês Akihoto.

Para Kato, Xi Jinping está quase assegurado como futuro presidente da China. Os seus principais adversários estariam entre o vice-premiê e alguns jovens líderes que têm pretensões de se promoverem aos cargos de alto escalão do governo, mas que não almejam a Presidência.

Hu Juntao foi nomeado presidente da China por Deng Xiaoping, que até então era o dirigente mais influente do país, e não pelo seu predecessor, Jiang Zemin. Desta forma, na visão dos japoneses é provável que o próximo presidente chinês seja uma autoridade aprovada por Jiang Zemin. Deste raciocínio nasceu a aposta em Jinping como um futuro presidente da RPC.

O comentarista da NHK assinala que Hu Juntao já está preparando um futuro sucessor para Jinping, caso este assuma o cargo. A estratégia de Juntao seria permitir que um dirigente de uma facção rival assuma a Presidência enquanto ele prepara um novo dirigente de sua própria facção, que assegurará o cargo na sequência.

Este candidato seria Hu Chunhua, da Liga Jovem Comunista, do Presidente Hu Juntao. Ele foi nomeado secretário da região autônoma da Mongólia Interior. Está ainda na faixa dos 40 anos e não é habitual que alguém tão jovem alcance tamanha projeção política na China, por isso sua preparação em longo prazo.

Os atuais e futuros governantes do Japão estão mais cautelosos e observam atentamente as possíveis sucessões políticas da China e, com isso, estão elaborando estratégias para manter boas relações com esses prováveis futuros mandatários chineses e assegurar o estabelecimento de fortes relações bilaterais.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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