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O POSICIONAMENTO DO PRESIDENTE LULA COM RELAÇÃO AO IRÃ

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Apesar das manifestações de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente iraniano Ahmadinejad, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, diz que o governo brasileiro assiste sem tomar partido os acontecimentos políticos no Irã.

As declarações do Presidente, comparando os protestos a insatisfação de torcidas de futebol foram “comentários genéricos, laterais” e não uma posição de governo, com juízo de valor, argumentou Garcia. “Dizer que estamos apoiando Ahmadinejad é bobagem. Não apoiamos nem deixamos de apoiar”, afirmou o assessor.

 

Percebe-se que o presidente Luis Inácio Lula da Silva manteve a tradição da diplomacia brasileira de procurar pontos de convergência nas questões mais graves da política internacional. Sua postura foi de condenar a repressão ao protesto da oposição, mas também aceitar que não houve fraude no processo eleitoral, ressaltando os mais de 60% dos votos atribuídos ao presidente iraniano, para argumentar que o número é muito alto para justificar suspeitas de fraude.

 

Observando sua declaração é necessário buscar as razões da neutralidade em um momento no qual o mundo tem declarado constantemente a reprovação ao que ocorre no Irã. Alguns elementos do argumento do presidente brasileiro precisam ser destacados.

 

Estruturalmente tem um problema: não é possível partir do princípio de que não deve ter havido fraude tomando como base margens percentuais e elementos do sistema eleitoral de países com culturas, sistemas políticos e sistemas eleitorais distintos. É possível adotar o método comparativo para analisar o caso, mas isolando outros elementos e ainda assim é mais provável que se chegue a conclusão diferente da que o presidente Lula chegou.

 

Visto o problema estrutural da declaração do presidente Lula, podemos salientar algumas questões estratégicas em sua simples e polêmica declaração.

 

Primeiro, a questão das constantes exigências do presidente Lula em ter mais poder e voz nas Instituições Internacionais, utilizando como argumento o forte poder econômico emergente que o Brasil representa. No entanto, não podemos esquecer que o poder para interferir no sistema internacional não vem isoladamente da condição econômica de um país, mas sim por sua capacidade de entender, apresentar soluções e agir para corrigir determinados problemas que assolam a sociedade global, os quais estão além dos problemas econômicos.

 

Segundo, outro fato que devemos levar em consideração é a aliança estratégica entre o Irã e a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), sendo esta uma plataforma venezuelana para impulsionar seu projeto de liderança regional, que agora começa realizar alianças intercontinentais. Chávez estruturou um projeto “geopolítico-multipolar-petrolero”, que tem como principais objetivos fazer da Venezuela uma potência energética mundial e criar uma Nova Ordem Mundial Multipolar, na qual o Irã e a Bolívia são peças extremamente “chaves” em seu projeto. No caso da Bolívia, devido às suas reservas de gás, que são estratégicas para este projeto, além de poder neutralizar o Brasil, que além de ser visto como líder natural da região, é um adversário natural que está impulsionando outro projeto de integração: a União Sulamericana de Nações (UNASUL).

 

A declaração de Lula, ao querer ser o mais neutro possível, pode encontrar respaldo ao considerarmos a situação regional latinoamericana, mas, no caso, o silêncio poderia ser a melhor estratégia. Logo, é necessária assessoria constante ao Chefe de Estado, para que o Brasil não seja visto na sociedade internacional com escárnio.

 

 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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