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O tempo corre em favor de Micheletti, no atual impasse das negociações em Honduras

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A solução para a crise política em Honduras sofreu outra estagnação nesta semana, quando, na segunda-feira, dia 9 de novembro, o ex-presidente Manuel Zelaya, afastado do cargo por acusações de crime políticos e comuns, anunciou que o acordo estava rompido, devido ao descumprimento do que foi acertado, por parte do atual presidente, Roberto Micheletti.

O ponto que emperrou a solução da crise continua sendo a questão da votação por parte do Congresso hondurenho para a restituição de Zelaya ao cargo presidencial. O ex-presidente dava como certo que a decisão do Congresso seria realizada antes da quinta-feira passada, dia 5 de novembro, data limite para ser composto um governo de união, segundo as exigências do Acordo firmado entre as partes.

Zelaya vinculou a composição de um governo de união a dois fatores:

  1. que o novo governo seria apresentado já tendo a sua restituição decidida.
  2. que a votação acerca dessa restituição seria apenas protocolar, uma vez que, nas cláusulas do “Acordo de San José”, estava previsto um “governo de união”, sob a sua liderança.

O ex-presidente considerou como resolvido o problema sem levar em conta que o novo Pacto, denominado “Acordo Tegucigalpa-San José” e assinado em 30 de outubro de 2009, não tinha tal determinação, mas apenas que deveria ser feito o referido “governo de união”, com membros indicados por ambas as partes, razão pela qual todo o gabinete de Roberto Michletti renunciou na semana passada.

Além disso, que seria votada a restituição de Zelaya pela instituição que ele desejava, ocongresso hondurenho, mas não que essa votação fosse feita até a data limite da conformação do “governo de união’, menos ainda que a votação fosse apenas deveria protocolar. Em sínese, a leitura feita pelos zelaystas não levou em conta o que estava escrito nas cláusulas propostas e por isso viram-se presos ao que admitiram por terem assinado.

O impasse retornou com ambas as partes se acusando de descumprimento do que haviam acertado. Zelaya não aceita um governo sem seu nome na presidência e denunciou que Micheletti montou outro governo de forma unilateral.

Micheletti, contudo, argumenta que o fez para cumprir a data estipulada, uma vez que todo o seu gabinete havia renunciado e o ex-presidente Zelaya havia se recusado a mandar sua lista de membros para a nova composição, descumprindo ele o pacto firmado entre ambos. Observando-se da perspectiva das cláusulas do Acordo que foram divulgadas até o momento e dentro da lógica das estratégias políticas adotadas, apesar do novo impasse, esta é mais uma vitória tática para Micheletti, que continua ganhando tempo para conseguir realizar as eleições de 29 de novembro.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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