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Obama se dirige ao povo norte-americano para responder às críticas

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O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou na noite desta segunda-feira, dia 28 de março, respostas às criticas que tem recebido em seu país sobre a postura do governo, os objetivos e o papel dos EUA nas ações que estão sendo realizadas na Líbia, vindas de vários segmentos da população e, principalmente, dos membros do “Partido Republicano”.

O mandatário estadunidense adotou postura de reconhecimento da impossibilidade de o país executar operações que reproduzam o que ocorreu no Iraque, onde os gatos chegaram a casa do trilhão de dólares, não trouxe solução segura para o problema regional e colocou os EUA numa situação difícil de afastar.

Em suas palavras: “Se tentarmos derrubar Kadhafi pela força, nossa coalizão vai se estilhaçar. Nós teríamos de mobilizar tropas terrestres americanas, ou arriscar matar muitos civis pelo ar. (…). Os perigos que nossos homens e mulheres em uniformes teriam de enfrentar seriam muito maiores. Assim como os custos, e nossa fatia de responsabilidade sobre o que viria depois. (…). Nós tomamos esse caminho no Iraque (…) mas a mudança de regime lá levou oito anos, milhares de vidas de americanos e iraquianos, e aproximadamente 1 trilhão de dólares. Isso não é algo que podemos nos dar ao luxo de repetir na Líbia”.

Declarou, contudo, que ações desta natureza são justificadas quando os norte-americanos sentirem que seus “valores são ameaçados”. Como afirmou: “Conscientes dos riscos e custos de uma ação militar, somos naturalmente reticentes ao uso da força para resolver os problemas mundiais, mas quando nossos interesses e nossos valores são ameaçados, temos a responsabilidade de agir”.

Para Obama, não há garantias de resultado positivo com a deposição de Muammar Kadhaffi, o que traz a tona a possibilidade da manutenção do líder líbio, apesar de antes ter anunciado que o mandatário da Líbia deveria renunciar ao cargo. Da mesma forma deixou claro que seria um erro executar qualquer operação terrestre, pois poderia gerar uma escalda de violência, além dos custos envolvidos, como afirmado.

O objetivo apresentado foi de defender os civis e evitar um massacre que estava sendo planejado e em processo de execução pelo Governo líbio. Por essa razão, deu como alcançado o objetivo originário. Como reconhece que o papel estadunidense deve ser limitado a isto, declarou que o comando das operações será entregue à “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN) amanhã, quarta-feira, dia 30 de março. Será a forma de reduzir a participação no conflito, logo os custos, mantendo apenas o “apoio em inteligência, assistência logística, busca e resgate, e no bloqueio das comunicações do regime”.

Analistas estão apontando que a questão líbia não tem para os norte-americanos a dimensão que existe em outros países regionais, por isso os EUA não podem perder recursos, respeito e liderança internacional, desgastando-se neste conflito. Na percepção destes, a melhor estratégia é entregar o comando das operações aos europeus para concentrar sua atenção nas áreas pivôs que estão estourando na Península Arábica e no entorno do Irã.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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