LOADING

Type to search

OEA começa admitir existência de corrida armamentista na América Latina

Share

O secretário-geral da “Organização dos Estados Americanos” (OEA), José Miguel Insulza, afirmou na quarta-feira passada, dia 7 de abril de 2010, sua preocupação com a corrida armamentista que está ocorrendo na região, a qual pode colocar em risco a paz no continente. Sua declaração veio em apoio à solicitação peruana de discussão do tema na próxima Assembléia da entidade. 

A questão da corrida armamentista não era tratada desta forma pelas entidades continentais. Os argumentos usados pelos países da região sempre foram de atualização e, ou, modernização dos equipamentos que estão defasados, uma vez que em quase todos os países da América Latina eles são de três, ou quatro décadas passadas.  Era uma reivindicação das Forças Armadas de todos os países da região, razão pela qual parte dos analistas do setor não adotava a hipótese da corrida armamentista.

A polarização entre Venezuela e Colômbia, ampliada com o avanço da Bolívia começou a trazer preocupação aos Organismos internacionais. Sob o argumento de combate ao terrorismo e ao narcotráfico, os colombianos firmaram acordo com os EUA que lhes permitirá pronta resposta no caso de um ataque, além de monitoramento e cobertura do espaço aéreo que lhes interessa para defesa e projeção de poder.

Os venezuelanos, por sua vez, sob o argumento do perigo colombiano, têm incrementado a compra de armas da Rússia. Deve-se ressaltar que o processo tem se desenvolvido desde metade da década dos 90 do século XX, embora tenha adquirido alguma configuração apenas nestes últimos três anos.

Chama a atenção o fato de Insulza estar trazendo o problema neste momento, logo após as visitas dos russos na América do Sul, trazendo em sua bagagem possibilidades de negócios com armas. A questão se resume no fato de a Rússia estar negociando já faz cinco anos e, hoje, os pacotes de equipamentos que estão sendo despejados representam o cumprimento dos acordos firmados no passado recente.

Nesse sentido, a ação de Insulza pode ser explicada por razões políticas institucionais, tão como por questões humanitárias, ou questões relativas à paz e aos direitos humanos. O dirigente está buscando um ponto polêmico das relações internacionais latino-americanas para trazer a instituição à luz e tentar recuperar algum prestígio.

Isso passou a ser urgente após os abalos sofridos pela OEA em Honduras; as acusações de inação e que tem recebido acerca do Haiti; a fragilidade para tratar de temas controvertidos, como os direitos humanos na Venezuela e a declaração de que a OEA será substituída por outro Órgão, feita por Hugo Chávez e demais chefes de Estado, na reunião ocorrida em Cancun, no México.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.