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Ollanta Humala e Keiko Fujimori prendem-se ao discurso moderado e assistencialista para atrair eleitores no segundo turno

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Os candidatos vencedores do primeiro turno das eleições presidenciais peruanas no dia 10 de abril, Ollanta Humala (Gana Peru) e Keiko Fujimori (Fuerza 2011), já estão mostrando os pontos que usarão em seus discursos para garantir a vitória no segundo turno, em 5 de junho.

Analistas apontam que a diferença apresentada entre os dois (Humala obteve 31,7% e Keiko, 23,5%) são reversíveis, uma vez que não são muito grandes e reproduzem resultados próximos aos apresentados em 2006, quando o hoje representante da coligação “Gana Peru” também chegou ao segundo turno na frente, com indicativos de vitória, mas foi ultrapassado pelo atual presidente Alan Garcia.

Há uma convergência de opiniões de que o cenário atual é bem diverso. O Peru apresenta condição econômica positiva e Humala está adotando estratégia moderada para garantir apoio de setores que lhes seriam antagônicos mais pelos temores do seu afamado radicalismo, do que pelo entendimento das propostas apresentadas tanto por ele, quanto por Keiko Fujimori.

Afirmam ainda os observadores que ambos os candidatos têm seu colchão eleitoral nas regiões mais pobres do país, o que será um problema para Keiko Fujimori, pois neste eleitorado as discussões tendem a ser polarizadas e isto é um campo aberto para o discurso do nacionalista Ollanta Humala, apesar de ele estar taticamente mostrando moderação.

Os dois candidatos estão conscientes de que as manifestações devem ser de negociação e equilíbrio, logo moderadas, pois não se pode correr o risco de haver desvinculação com os ganhos obtidos para o Peru até o momento.

Humala tem tentado convencer o eleitorado de que não haverá transição radical, investindo em políticas públicas de inclusão social, sem fazer mudanças bruscas no modelo econômico. No entanto, como alguns observadores têm destacado, ele deixa emergir que deseja a transformação do modelo peruano, transferindo para o futuro a concretização de um processo que não se sabe qual será, pois o cenário real que projeta não está mais transparente. Neste momento, a certeza é de que seu governo poderá se assemelhar ao de Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil, conforme foi afirmado por Heraldo Muñoz, diretor para a América Latina do “Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento” (PNUD). Mas ambos os candidatos afirmam que farão o mesmo.

Keiko Fujimori tem apoio do setor empreendedor e está buscando articulação com Pedro Pablo Kuczynski, o terceiro colocado no primeiro turno eleitoral, com grande aceitação entre os jovens e na Capital. Também deseja garantir aliança com Alejandro Toledo e com o ex-prefeito de Lima, Luis Castañeda, quarto e quinto colocados, acreditando que seus apoios garantirão os votos necessários para vencer o pleito: “maioria absoluta”, ou seja “50% + 1”.

Apesar do esforço, outra convergência entre os analistas é de que o apoio desses candidatos não será garantia de recepção dos votos dos seus eleitores do primeiro turno. A tendência será que eles se dissolvam e observem se os programas apresentados por Keiko e Humala terão caráter assistencialista que desejam. Pelo que tem sido disseminado na mídia, as classes médias e mais baixas da população não estão se pronunciando sobre estatização ou não da economia, mas sim sobre os auxílios que estão exigindo do Estado.

Como Keiko e Humala terão de seduzir o eleitorado do centro, garantindo que ao menos por enquanto não mudarão o modelo econômico do país e preservarão os ganhos da economia e a estabilidade política, eles serão obrigados a mostrar as formas de inclusão social a serem adotadas. Ambos estão afirmando que o cerne de seus respectivos governos será a inclusão das classes mais pobres nos benefícios da sociedade. Sendo assim, tenderá a garantir o pleito aquele que for mais efetivo na apresentação dessas propostas e mostrar que seu assistencialismo é mais inclusivo e não desperdiçará os lucros alcançados pelo governo Garcia. Contudo, poucos são os analistas que acreditam ser isto possível com uma prática de governo assistencialista seja qual for a tintura ideológica que mostrar.
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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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