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Ollanta Humala no segundo turno gera tensão nos investidores

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A garantia do candidato nacionalista à “Presidência da República” peruana Ollanta Humala no segundo turno tem gerado tensão no meio empresarial e nos investidores internacionais, dentre eles as grandes empreiteiras brasileiras que têm projetos no país, calculados em, aproximadamente, 16 bilhões de dólares.

Humala tem posicionamento que lembra a postura adotada por Hugo Chávez na Venezuela, o que pode levar a desapropriações ou cancelamento de contratos, segundo opinião de vários observadores internacionais.

Além disso, foi divulgado na mídia que três dessas empresas, a “Queiroz Galvão”, a “Galvão Engenharia” e a “Camargo Correa” doaram algo próximo de US$ 300 mil para a campanha de Alejandro Toledo, seu rígido concorrente durante esta campanha do primeiro turno.

Analistas acreditam que a adoção do discurso moderado pelo candidato esquerdista pode convencer a classe média e certos setores nacionalistas à direita sobre uma gestão adequada de sua parte, podendo ainda ser identificado como o líder capaz de reduzir a distância existente entre as classes mais altas e mais baixas da sociedade.

Ou seja, ser o governante com condições de realizar uma política de inclusão social, uma vez que o Peru conseguiu crescimento econômico nos últimos cinco anos, mas a questão social continua premente.

Apontam ser provável que ele pense seguir percurso similar ao de Hugo Chávez: (1) vitória nas eleições, (2) adoção de programas assistencialistas, (3) modificações institucionais, (4) consolidação no poder, (5) controle das instituições políticas, (6) mobilização social e (7) aplicação das transformações socialistas. As desapropriações e nacionalizações (eufemismos para estatização) são usadas taticamente ao longo do processo, embora sejam o substratos da transformação socialista.

Observadores apostam também que, se eleito, pois ainda há muito o que caminhar neste segundo turno,  terá de negociar no Legislativo todas as políticas que desejar adotar, pois ele, tanto quanto os demais candidatos que concorrem, não conseguirão maioria no Congresso peruano para trabalhar livremente. Acredita-se que os grupos que lhes são antagônicos se aliarão para enfrentá-lo, impedindo imediatamente as mudanças mais problemáticas.

Apesar das dificuldades, nenhum observador duvida que, se chegar à Presidência, Humala adotará comportamento inicial próximo de um social-democrata, pois esta é a primeira etapa do planejamento estratégico.

Seu problema imediato será acalmar os mercados e os investidores, pois somente assim terá tempo de avançar nas políticas que lhes darão sustentação e buscar as transformações dentro da estratégia que se supõe estar sendo aplicada.

Mas, como todos estão levantando, há muito o que caminhar até o final do segundo turno e lembram que as eleições de 2005 apresentaram índices próximos, embora a conjuntura atual seja diversa. A situação ainda  está aberta.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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