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ONU aprova área zona de exclusão aérea na Líbia

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O “Conselho de Segurança da ONU” aprovou ontem, dia 17 de março, o estabelecimento de uma “zona de exclusão aérea” sobre a Líbia, com a indicação de que podem ser tomadas “todas as medidas necessárias”. Isto significa que se for acordado entre as potências uma intervenção militar, ela já está autorizada.

O objetivo é “proteger civis e áreas habitadas por civis que estão sob ameaça de ataque (no país), incluindo Benghazi” (importante foco rebelde e segunda maior cidade da Líbia) contra as ações do líder Muammar Kadhaffi, que tem agido de forma violenta e não pretende entregar o poder. Deve-se destacar que, até o momento, o uso de uma “força de ocupação” está afastada.

A “zona de exclusão” havia sido solicitada pelos rebeldes, pois o mandatário tem usado da “Força Aérea da Libia” para bombardear as áreas controladas pelos rebelados. O governo líbio reagiu imediatamente após a aprovação, acusando a determinação da ONU como um exemplo de “colonização” e ameaçou responder até as últimas conseqüências, transformando a situação “num inferno”. Kadhaffi declarou: “Isso é loucura, insanidade, arrogância. Se o mundo enlouquecer, enlouqueceremos junto. Vamos responder. Faremos de sua vida um inferno, porque estão fazendo isso da nossa. Eles nunca terão paz”.

Em discurso realizado ontem, dia 17 de março, afirmou que “não haverá misericórdia para os rebeldes. Todas as casas serão revistadas”. De acordo com a declaração, se não houver armas, não precisará ter preocupação, mas, no caso de serem encontradas, não terá piedade. Os observadores prevêem que ocorrerão fuzilamentos em massa onde as forças do governo chegarem. Um porta-voz do “Ministério da Defesa” fez declaração de ameaça à Europa, afirmando que “Qualquer operação militar contra a Líbia vai expor todo o tráfego aéreo e marítimo no Mediterrâneo ao perigo. E qualquer tráfego civil ou militar será alvo de uma contraofensiva líbia. A bacia do Mediterrâneo será exposta a um perigo grave, não apenas no curto prazo, como também no longo prazo”.

As grandes potências, em especial os EUA, querem evitar uma intervenção militar e estão buscando que o mandatário se afaste. As decisões tomadas na ONU estão isolando Kadhaffi, que também está sendo denunciado nas “Cortes Internacionais”, colocando-o na situação de não poder sair da Líbia, sob o risco de ser preso em qualquer país do mundo, exceto naqueles que decidirem confrontar a comunidade internacional, num primeiro momento, provavelmente apenas a Venezuela, pois mesmo Irã e Coréia do Norte estão adotando estratégias que poderiam levar à recusa em aceitá-lo nos seus respectivos territórios.

O Brasil, atualmente ocupando uma Cadeira no “Conselho de Segurança da ONU”, se absteve de votar pela “zona de exclusão”, pois, de acordo com autoridades brasileiras, é preferível investir na negociação para o afastamento do mandatário.

Elas temem que uma invasão no território gere instabilidade no “sistema internacional”, já que o governo líbio tem afirmado que transformará a problema num conflito generalizado. Analistas acreditam que  a situação tende a piorar e a invasão pode estar sendo preparada, faltando definir a forma de atuação da “União Européia”, pois está ocorrendo divergência de posicionamento dentro do Bloco.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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