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Começa a ser anunciado na imprensa internacional que um estudo do Departamento de Assuntos Políticos da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito das razões do afastamento do ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, “foi constitucional e de acordo com as leis do país”.

Este estudo, que se tornou conhecido pelos altos funcionários da ONU, ontem, dia 13 de outubro, reproduz a conclusão de outro estudo realizado pelo Congresso do EUA, que está acompanhando o andamento da crise política no país, iniciada no dia 28 de junho.

 

Embora lentamente, as peças começam a andar em favor dos membros do atual governo, encabeçado por Roberto Micheletti. A mídia internacional está anunciando que as reuniões realizadas sob a mediação da OEA (Organização dos Estados Americanos) não chegaram a um termo final, mas, de acordo com o divulgado, ambas as partes concordaram com, aproximadamente, 90% dos termos do acordo de San José (Acordo proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias)*, estando estagnado apenas na questão da restituição de Zelaya, ponto irredutível para o atual presidente, Roberto Micheletti.

As partes, contudo, já se direcionam para um terceiro caminho. A questão que está sendo posta à mesa por Zelaya, como forma de demonstrar transigência, é exigir a sua restituição, sem reeleição e sem Constituinte. Seria uma derrota honrosa e com altivez para ambos os lados, mas os atuais governantes percebem essa medida como uma retirada estratégica, pois o ex-presidente poderá interferir diretamente nas eleições presidenciais do dia 29 de novembro de 2009.

As declarações caminham para as renúncias de ambas as partes. Micheletti anunciou que renunciará ao cargo, em prol de um terceiro nome, se Zelaya aceitar que não retornará à presidência.

Diante das circunstâncias, o grupo de ex-presidente tenderá a aceitar, pois as peças estão começando a se posicionar contra e o tempo corre em favor de Micheletti, que  ganhará a luta política se conseguir manter a situação até as eleições presidenciais de 27 de novembro, mesmo com a renúncia da candidatura presidencial de Carlos H. Reis, em forma de protesto.

Ele é candidato independente e teria apoio da denominada “Frente  Nacional contra ao Golpe”. Ele afirmou que o faz por não aceitar uma eleição em “estado de exceção” e na situação de um Golpe de Estado. Ou seja, só participaria com o retorno de Zelaya.

Seu peso, contudo não é tão expressivo quanto os dois principais concorrentes, Porfírio Lobo (Partido Nacional) e Elvin Santos (Partido Liberal), que detém, aproximadamente, 80% da tendência dos votos.

Deputados brasileiros, que estiveram na comissão de parlamentares que visitou Honduras e conversou com ambas as partes, voltaram divulgando que a situação está sob controle e refutaram o que tem sido divulgado acerca do apoio popular que Zelaya detém. Nas palavras do deputado Raul Jungman “Manuel Zelaya (..) conta com esmagador apoio internacional”,  (..) “para nós, depois de lá passarmos, não resta nenhuma dúvida de que o Micheletti conta com a maioria da opinião pública, tem o apoio majoritário dos hondurenhos e com a totalidade absoluta das instituições” (depoimento feito a Agência Lusa).

As peças continuam caminhando a favor do atual governo, pois além dos atuais estudos da ONU e do Congresso dos EUA, do fato de a OEA agora estar dividida com relação a aceitação do pleito do dia 29 de novembro e das declarações dos deputados brasileiros e do cansaço que começa a tomar conta das partes envolvidas, surgem no cenário latino-americano as eleições bolivianas que despertarão as atenções no mês que se avizinha e isso esfriará a atenção da mídia internacional que até então estava divulgando, especialmente, os posicionamentos pró Zelaya.

* Para maiores esclarecimentos sobre o “Acordo de San José”, consultar as demais notas e análises de conjuntura do CEIRI sobre a “Crise de Honduras”.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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