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Os indícios da conexão nuclear Irã – Coréia do

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Recentemente, a ex-ministra da Defesa e ministra do Ambiente do Japão, Yuriko Koike, escreveu artigo apresentando indícios de que existe uma conexão entre o Irã e a Coréia do Norte para trabalhar na área nuclear, investindo na transferência de tecnologia atômica entre os dois países, bem como de material para a produção de artefatos bélicos.

Segundo a ex-ministra, que atualmente é uma das principais líderes da oposição ao atual governo de seu país, há mais de 6.000 norte-coreanos trabalhando no Irã e nos países vizinhos da região, sendo a maioria destinada aos setores da construção civil, devido à falta de empregos na Coréia, agravada pelo isolamento do país em relação à comunidade internacional.  

No entanto, segundo afirmou, para a Síria e para o Irã estão foram e estão sendo deslocados trabalhadores especializados em áreas como a nuclear, fato comprovado quando a instalação nuclear síria foi destruída por Israel em 2007. Na época foi comprovado, de acordo com suas afirmações, que os norte-coreanos estiveram envolvidos em todo o processo de desenvolvimento da instalação.

No caso do Irã, apesar de haver rígido controle desta população estrangeira pelo governo do país e de os norte-coreanos serem constantemente controlados pela embaixada da Coréia, segundo declarou, há um grupo que não é regido pelas normas de sua embaixada.

De acordo com a ex-ministra, estes agem com liberdade para realizar tarefas não esclarecidas. Eles se enquadram em três tipos: “(1) Os do ‘Office 99’ que se reportam ao ‘Departamento da Indústria de Munições em Pyongyang’. (2) Os do ‘Office 39’, que reportam ao Departamento de Contabilidade e Finanças. (3) Um último grupo que se reporta diretamente ao ‘Gabinete da Secretaria doQuerido Líderda Coreia do Norte’, Kim Jong-il”.

Em suas declarações afirmou ainda que em 2002 havia 120 coreanos do norte “trabalhando em mais de 10 locais no Irã, relacionados com a investigação do desenvolvimento nuclear ou de mísseis. Ao passo que os norte-coreanos que trabalham nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar ou no Koweit são basicamente mão-de-obra barata”.

As razões apresentadas para este tipo de ação estão relacionadas com o fato de não restar outro caminho à Coréia do Norte para adquirir recursos, uma vez que ela está sufocada em sua economia e o conhecimento da tecnologia nuclear está sendo negociado a peso de ouro.

Em seu artigo, fez ainda a seguinte acusação: “Até 2009, o ‘Departamento de Contabilidade e Finanças’ e o ‘Gabinete da Secretaria da Coréia do Norte’ foram responsáveis pela exportação de mísseis e de tecnologias de mísseis para o Irã através de empresas-fantasma geridas pelo ‘Office 99’. Todas essas transações foram realizadas sob as ordens diretas de Kim Jong-il. As coisas funcionam da seguinte forma: o ‘Segundo Comitê Econômico’, que está sob o comando da liderança central do partido, fabrica mísseis com a ajuda da ‘Segunda Academia de Ciências Naturais da Coréia do Norte’. As empresas sob controlo do ‘Office 99’ exportam os mísseis para o Irã. A moeda estrangeira adquirida com a exportação de mísseis e de armas nucleares ou outras armas vai diretamente para os bolsos de Kim Jong-il ou é aplicada no financiamento de desenvolvimento nuclear adicional”.

Acrescentou: “(…) em 2010, foi criada uma nova empresa fictícia, a ‘Lyongaksan General Trading Corporation’. Esta organização, ao que parece, tem como objetivo desempenhar agora o papel central na gestão das exportações de mísseis e de tecnologias nucleares para o Irã. Evidentemente, trata-se simplesmente de uma nova variação numa velha prática, uma vez que a Coréia do Norte tem utilizado regularmente empresas fictícias para exportar mísseis. Os nomes, endereços e números de telefone dessas empresas não existem, tal como foi comprovado pelos documentos descobertos quando as Nações Unidas confiscaram armas ilegalmente exportadas, no âmbito da Resolução 1874”.

Concluiu afirmando que a exportação de tecnologia e material nuclear para os iranianos é a principal fonte de divisas do país e só poderá ser encerrado com a contribuição da China, a qual, em suas palavras terá de “ser responsável”, pois “a maioria das exportações para o Irã passa por seu território”.

O fato de a ex-ministra ser da oposição na atual conjuntura política de seu país (Japão), acrescido da capacidade de obter informações enquanto ocupou cargo governamental, dentre elas relatórios de inteligência, estão dando dimensão as suas declarações, com o peso confirmatório e apoio às grandes potências acerca das sanções contra o governo iraniano.

O artigo-entrevista que foi publicado no jornal português “Negócios On-Line” traz elementos para enfrentar o argumento dos países que afirmam não haver provas de que o Irã tem interesse em desenvolver tecnologia nuclear bélica. Os indícios não são totalmente comprobatórios, por não haver ligação direta entre a transferência de tecnologia e a sua utilização para fins bélicos, mas trazem elementos para as grandes potências manterem o procedimento adotado, devido à força que eles têm, e ignorarem o “Acordo Irã-Brasil-Turquia”, assinado no dia 17 de maio de 2010.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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