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Paraguai planeja megaprojetos para alavancar economia

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Na próxima semana estará em discussão no Congresso brasileiro a revisão do “Tratado de Itaipu” (PDC 2600/10, que tem como fim triplicar o preço pago pelo Brasil para a energia fornecida pelo Paraguai, produzida na “Usina Hidrelétrica de Itaipu”).

A revisão está sendo defendida pelos membros do governo brasileiro, apontando a necessidade de alavancar os países vizinho para garantir o processo de integração da America Latina, algo que acreditam ser benéfico ao Brasil, uma vez que será a principal economia de um continente e mercado integrado.

O líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou: “Para o Brasil se desenvolver, precisa levar junto a América Latina inteira. A votação será sem consenso”. Outro que defende a revisão do Tratado para buscar formas de aproximar os países e acelerar o processo de integração é o “Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República”, Marco Aurélio Garcia, que afirmou: “Não é uma questão só econômica. Se fosse problema só econômico, o Brasil teria feito Itaipu sozinho. (…). Vai ajudar as relações e não queremos ter ao nosso lado países pobres e insatisfeitos”.

A oposição, contudo, discorda. O deputado Paulo Abi-ackel (PSDB–MG), acredita que isso representará perdas de recursos para investir no Brasil. Em suas palavras: “Só poderíamos nos dar ao luxo de fazer política internacional pródiga se já estivessem superados os nossos problemas elementares de infra-estrutura nacional, e não temos sequer um plano estratégico para eles ainda”. Ou seja, discorda do fato de, não havendo recursos e planejamento para resolver os problemas internos, estarem sendo deslocados recursos para beneficiar outros países.

Observadores apontam que, independente das discussões sobre a revisão do Tratado, que renderá divisas significativas ao Paraguai, este país estará recebendo investimentos diretos vindos do Brasil, por meio da “Rio Tinto Alcan” que planeja investir entre 3,5 e 4 bilhões de dólares no Paraguai, para construir sua maior planta de alumínio no mundo.

Segundo o diretor da empresa responsável pelo desenvolvimento de negócios para as Américas, Juan Pazos Romero, “A planta deve ser instalada em um raio de 30 a 50 km da Ciudad del Este, em Encarnación, no sudeste do país, entre as grandes hidrelétricas em que o país é proprietário com Argentina e Brasil. (…). Este projeto tem a capacidade de transformar o Paraguai, dando estabilidade e desenvolvimento industrial porque atrairá centenas de outras pequenas, médias e grandes empresas”.

Além disso, o governo do Paraguai está anunciando que pretende construir com o Brasil um duto no valor de 1 bilhão de dólares, ligando Villa Elisa e Ciudad del Este (cidade paraguaias) a Foz do Iguaçu e Paranaguá (no Brasil), para importar produtos de petróleo brasileiros e exportar soja e etanol paraguaios. A conclusão das obras está prevista para final de 2012 e início de 2013.

Da perspectiva dos paraguaios será o primeiro passo para resolver problemas logísticos que impedem negócios do país com o exterior, dificultam parcerias comercias e impedem o incentivo à exportação.

Analistas afirmam que se os projetos conseguirem consecução, o Paraguai poderá dar um salto de boas proporções, pois receberá recursos com a revisão do “Tratado de Itaipu”, terá um investimento direto para alavancar o setor industrial e estará resolvendo um problema logístico que poderá articular outros projetos beneficiadores ao crescimento econômico do país.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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