LOADING

Type to search

Paraguai pode se tornar novo foco de tensão internacional na América Latina

Share

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, decidiu afastar a cúpula militar paraguaia, sob suspeitas de estarem preparando um golpe de estado. Os militares afastados foram o comandante do Exército, general Oscar Velázquez; o da Marinha, contra-almirante Claudelino Recalde; e o da Força Aérea, Darío Dávalos, os quais foram substituídos pelos oficiais generais Bartolomé Pineda, pelo contra-almirante Egberto Orué e pelo general Hugo Aranda, respectivamente.

As reações ao ato foram amplas na sociedade paraguaia e tem gerado manifestações na América do Sul, em especial por lideranças dentro dos países que compõem o grupo denominado bolivariano.

A razão apresentada para a ação é de que estava sendo preparado no Paraguai um movimento semelhante ao que ocorreu em Honduras, com deliberações no Congresso e apoio de grupos militares, pois a destituição desses chefes paraguaios ocorreu alguns dias após a oposição no Congresso do país ter anunciado que já detém os dois terços de parlamentares necessários, de acordo com a Constituição, para destituir o atual presidente de seu cargo público. A alegação é de mau desempenho das funções públicas. A comparação, contudo, ignora as várias diferenças no cenário e na composição geral do quadro, mas está servindo como justificativa.

A oposição acusa o atual presidente de desejar esvaziar as Forças Armadas para reduzi-la a uma espécie de Guarda de Segurança, como tem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, constituída de poucos militares bem treinados e fiéis a Lugo.

Acredita-se, ainda, que ele deseja seguir o modelo chavista e, por isso, precisa controlar o setor militar com rigor, pois a sua aceitação pelo povo paraguaio está em queda, desde que começaram a surgir os escândalos em sua vida partícula.

Manifestações de generais da reserva, como a do ex-comandante das Forças Militares, general Bernardino Soto (atualmente atua pelo partido Colorado, que é oposição a Lugo) de que  “É uma humilhação, uma falta de respeito. Vão dizer que eles são conspiradores. Não merecem ser manipulados como o fez o presidente Lugo“, aponta para um dos princípios norteadores da conduta e da vida militar: a “honra”. Ou seja, é possível que já se esteja trabalhando em torno da dignidade militar, para buscar a união do grupo.

Isso pode significar que, dependendo da forma como o problema seja conduzido, a processo comece a se constituir em torno de dois cenários: um com a união dos militares em prol da sua honra militar e, assim, irão apoiar os movimentos que ocorram no Congresso paraguaio contra o atual Presidente; outro, com a ocorrência de uma cisão dentro das Forças Armadas, apontando-se que o grupo apoiador do atual presidente poderá anular o lado opositor se agir rápido, mas gerará violência se o processo demorar o suficiente para os opositores angariarem apoio capaz de sair às armas. 

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!