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Piñera declara que eleição de Humala poderá afetar as relações entre os dois países

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Ao ser questionado no dia 1 de abril por um jornalista da rede TVN acerca de uma possível vitória de Ollanta Humala (“Coligação Ganha Peru”) nas eleições peruanas, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que, se o candidato esquerdista for escolhido Presidente do Peru, certamente as relações entre os dois países será afetada.

O jornalista foi direto ao assunto perguntando se Humala levaria a “uma mudança radical na atitude do Peru em relação ao Chile”. A resposta foi: “Sim, é evidente. Mas não podemos interferir nas eleições peruanas”.

Vários contenciosos afetam as relações políticas entre ambos Estados, mas ao longo dos últimos cinco anos eles foram tratados de forma negociada, embora não tivessem apresentado resultados imediatos, sendo normalmente postergados. O mais lembrado diz respeito à disputa sobre os limites das fronteiras marítimas, problema que está sob avaliação da “Corte Internacional de Haia”.

De acordo com Piñera, “O direito internacional e a jurisprudência dão razão ao Chile. Esse mar nos pertence. (…). Somos vizinhos da Bolívia, Peru e Argentina. Por isso, buscamos as melhores relações. Mas não vamos confundir essa atitude de buscar boas relações com uma fraqueza em defender nosso território, nosso mar e nossa soberania”.

Os chilenos estão preocupados com a hipótese de o candidato bolivariano se tornar Presidente do país vizinho. Analistas afirmam que, imediatamente, as negociações para a criação do novo Bloco comercial latino-americano – envolvendo Chile, Peru, Colômbia e México – serão paralisadas. Além disso, Humala adotará medidas de confronto direto ao governo do Chile e dará resposta duras aos imigrantes chilenos no Peru.

A esse respeito, o próprio candidato da coligação “Ganha Peru” foi incisivo e afirmou: “Trataremos os chilenos que vivem no peru da mesma maneira que vocês tratam os peruanos que vivem no Chile (…) Cuidado ao irritá-los, discriminá-los, maltratá-los ou humilhá-los”. Ou seja, ameaçou o governo e a população chilena.

Tal atitude foi mal recebida neste país, levando a grande rejeição da população e indicando que haverá deterioração das relações diplomáticas. Observadores tomam como elevada a probabilidade de Humala estar no segundo turno e também não descartam sua vitória, a qual dependerá mais de ele evitar os erros cometidos no passado do que de fazer acertos propriamente ditos.

O candidato bolivariano está moderando o discurso, mas não se acredita que mudou de posicionamento em relação ao comportamento adotado em 2006, quando perdeu para Alan Garcia devido aos receios que produziu no povo, principalmente graças as suas fortes relações com Hugo Chávez.

Naquela época ainda surgiram denúncias de que tinha relações com as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC) e organizava as populações indígenas fronteiriças com a Colômbia e o Brasil para apoiá-las no caso de necessidade.  Foram fatores que levaram-no a perder aquele pleito e podem derrotá-lo novamente, mas suas chances são outras, devido a forma como a campanha foi conduzida até o momento.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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