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Plano de assassinato de Micheletti pode gerar mais tensão e levar país a violência

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O atual presidente hondurenho, Roberto Micheletti, denunciou ontem, dia 25 de novembro de 2009, que há um complô para assassiná-lo no domingo, dia 29 de novembro, quando for votar nas eleições presidenciais na cidade de El Progresso, no norte de Honduras.

A denúncia está sendo investigada pelo Ministério Público do país, pois a denúncia decorreu de terem sido aprisionados quatro suspeitos, dois nicaragüenses e dois hondurenhos, portando fuzis de fabricação russa (um deles um AK-47), bombas e munição. Além dos armamentos, chamou atenção o fato de os suspeitos terem posse de equipamentos de comunicação, mira telescópica e computador, indicando que há um planejamento para tanto.

O material apreendido é de origem russa e, como havia participação de nicaragüenses, paira a suspeita de envolvimento de grupos bolivarianos que pretendem adotar uma medida violenta para impedir a continuidade do processo eleitoral, pois acreditam que o resultado das eleições, sendo reconhecido pelos EUA, Panamá, Colômbia e Peru, levará, paulatinamente, à aceitação da sociedade internacional.

Também explodiram bombas no prédio da Corte Suprema e no prédio de um canal de TV (Canal 10), pró-governo Micheletti. Os artefatos identificados também são de origem russa (RPG-7).

Suspeita-se, ainda, de um plano para explodir a ponte “La Democracia”, que liga as cidades de “El Progresso” a “La Lima” e “San Pedro”, como forma de impedir a ida de eleitores às localidades.

A situação está mais tensa em Honduras, pois ontem também foi entregue ao Congresso hondurenho o relatório do Ministério Público, conforme solicitado pela casa legislativa, para avaliar a possibilidade de retorno de Micheletti ao cargo presidencial.

De acordo com o assessor jurídico do Ministério Público, Nick Atala, “foi entregue a opinião legal do Ministério Público, tal como o solicitou o Congresso Nacional“. Falta ser entregue o relatório da Corte Suprema, pois o Comissário Nacional dos Direitos Humanos, Ramón Custódio, e a Procuradoria Geral da República já entregaram os seus.

A levar em conta o que disse o porta-voz do Ministério Público, Melvin Duarte, que o relatório contém “um enfoque estritamente jurídico, no qual a Constituição e as leis do país foram levadas em conta“, o posicionamento do Órgão é contrário ao retorno de Zelaya, pois ele é um dos condutores dos processos que estão sendo desencadeados contra o ex-presidente, tanto com relação a consulta popular inconstitucional que, segundo declarações de membros das instituições, Zelaya tentou impor ao pais usando das Forças Armadas, quanto pela emissão ilegal de um Decreto para a contratação de publicidade, o que caracteriza crime comum.

Ao que tudo indica dificilmente o congresso votará a favor de Zelaya e o cenário que se avizinha é de aumento da tensão e violência disseminando-se pelo país. A OEA está dividida e a Europa silenciosa. Serão dois meses até a posse do novo Presidente da República, tempo suficiente para o grupo afastado do poder tentar alguma ação extrema.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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