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POLÍTICA EXTERNA DA CHINA PARA A AMÉRICA LATINA SUSTENTA ASCENSÃO DO BRASIL COMO POTÊNCIA REGIONAL

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O ano de 2009 é o ano de celebração dos 60 anos da República Popular da China (RPC). Nas palavras do ex-secretário de Estado dos Estados Unidos do governo de Richard Nixon (1969-1974), Henry Kissinger, é um “acontecimento histórico extraordinário” a moderna Transformação da China. Kissinger fez tal afirmação em entrevista a Agência de Notícias chinesa Xinhua quando felicitou o povo chinês pelas transformações ocorridas naquele país.

 

Ele foi um dos colaboradores para a normalização das relações entre os dois países em 1979, “Se alguém houvesse predito em 1971 a China tal como ela é em 2009, eu teria pensado que era um sonho. Mas este sonho teria se tornado realidade“, assinalou.

A China é hoje um país que possui grande poder Militar e Econômico, porém, não há disponibilidade suficiente de recursos naturais para o desenvolvimento de todos os setores de sua economia. Pensando em recursos para desenvolvimento, é importante acompanhar a política externa chinesa, não apenas a direcionada às grandes potências européias e aos Estados Unidos, mas também aos países do continente africano, sul-americano e os lusófonos.

A RPC vem aumentando cada vez mais as relações com os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Esta estratégia prioriza internamente a zona administrativa especial de Macau (RAEM), como plataforma para as relações com os países lusófonos, destacando Brasil, Angola e Portugal como os principais parceiros.

As relações com o Brasil são as que mais crescem no decorrer dos anos. São amplos os interesses chineses em manter relações com o país, não apenas relações comerciais, mas também diplomáticas, e a China vem sustentando a ascensão do Brasil como potência regional, entendendo que esta é a sua plataforma de entrada na América do Sul.

Em estudo recente, publicado pela Fundação Jamestown, “Implicações estratégicas da ajuda e investimento chinês na América Latina” o investigador Evan Ellis defendeu que a decisão de Brasília em aumentar e fortalecer relações com a China é um dos principais motivos da investida de Pequim na região, nos últimos anos.

De acordo com o estudo, “A China tem estado a contribuir para a ascensão do Brasil enquanto potência regional. O desempenho econômico brasileiro tem sido conduzido, em parte, pelas suas indústrias exportadoras de minério de ferro e de soja, para as quais a China é um cliente-chave”.

A recessão veio para ampliar e enfatizar a importância dos chineses para o Brasil, ocupando a China o lugar dos Estados Unidos como principal parceiro comercial no primeiro semestre deste ano. Segundo Ellis, as exportações brasileiras para os EUA caíram de forma acentuada em 37,8% no primeiro trimestre deste ano, enquanto a procura por produtos brasileiros no mercado chinês não demonstrou um aumento de 62,7%.

O pacote de estímulo chinês adotado internamento em seu país, que inclui a infra-estrutura, com o montante de 740 bilhões de dólares, contribuiu para a evolução das relações entre os dois países, mantendo elevada a procura de matérias primas como o minério de ferro, comprado de empresas brasileiras, principalmente da Vale. “A China também surgiu como financiador-chave numa altura em que o Brasil procura os 174 bilhões de dólares de que precisa para desenvolver as reservas de petróleo em águas profundas,  nas bacias de Santos e Campos, recentemente descobertas”, sublinha Ellis.

O presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, durante as conversações com o Banco de Desenvolvimento da China sobre um empréstimo de 10 bilhões de dólares, afirmou que não existe “ninguém no governo norte-americano com quem seja possível ter discussões como [as ocorriam] com os chineses”.

Evan Ellis também afirmou ainda que “A China é também um parceiro cada vez mais importante na transferência de tecnologia para o Brasil. Os dois países estão a estimular várias importantes parcerias, incluindo a produção conjunta de aviões a jato de média dimensão, o programa do Satélite de Pesquisa Terrestre China-Brasil (CBERS) e outros programas de cooperação espacial”.

Durante o estudo, Ellis ressalta que as relações entre os dois países refletem o crescimento do interesse brasileiro na construção de infra-estruturas para ligar cidades como Manaus aos portos do pacífico, no Peru e Equador. Este seria o interesse brasileiro “na política comercial e estabilidade política dos seus vizinhos do Pacífico” e em “grandes projetos de infra-estruturas que afetam a racionalidade econômica desse comércio, como a expansão do Canal do Panamá”.

Identifica-se que as relações da China com os países sul-americanos como Equador, Bolívia e Venezuela, ambos de regimes socialistas, tendem a crescer. Os chineses têm interesse no gás boliviano, já com relação à Venezuela e ao Equador, interesses em infra-estrutura e petróleo.

O investigador Evan Ellis encerra sua pesquisa pontuando que a influência chinesa é crescente e está “[minando] o papel de primazia dos Estados Unidos como ator econômico e social da região”, (…) “Isto pode ser visto na reorientação da estrutura comercial da América Latina para além dos Estados Unidos, nos esforços latino-americanos para agradar ou evitar ofender a China e no declínio do poder norte-americano como modelo de referência para o desenvolvimento econômico e democracia”. É a conclusão do ensaio publicado pela Fundação Jamestown.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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