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POLÍTICA EXTERNA DOS EUA PARA A AMÉRICA LATINA SERÁ MAIS INTENSA EM 2010. AS VISITAS DE HILLARY CLINTON, EM MARÇO, INICIAM UM CONJUNTO DE AÇÕES MAIS FIRMES E MAIS DEFINIDAS

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A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, começará um conjunto de visitas pela América Latina a serem realizadas entre os dias 28 de fevereiro e 5 de março. No Brasil, ela estará no dia 3 de março e fará reuniões com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo anunciado, a Secretária norte-americana deseja resolver problemas pendentes com o Brasil, principalmente os gerados pelos posicionamentos antagônicos em questões de política externa, ocorridos ao longo 2009.

 

Os principais casos são: o reconhecimento do governo do atual presidente hondurenho Porfírio Lobo, gerado pelas divergências de considerações sobre o movimento político em Honduras, no qual o Brasil saiu moralmente desgastado e precisa ser resolvido rapidamente.

Outra pendência é o problema do “programa nuclear iraniano”. O Brasil tem se posicionado pró-Irã e ignorado as ações contra os Direitos Humanos ocorridos no país. Os EUA desejam aplicar rapidamente sanções contra Teerã (capital do Irã) para frear o seu projeto e sabem que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, irá usar do presidente Lula para tentar ganhar tempo, ou atrapalhar as ações dos norte-americanos, já que, ao longo de 2010, o mandatário brasileiro conseguiu ganhar projeção internacional. Acredita-se que Lula tocará no assunto das Ilhas Falklands/Malvinas para usar o tema como forma de tratar da questão da Reforma do “Conselho de Segurança” da ONU.

A idéia é da visita é buscar aproximação. Os EUA sabem da importância do Brasil no cenário regional e desejam agir de forma a atrair os brasileiros para uma ação coordenada, de forma que a liderança do país se realce ainda mais, não receba contraposição norte-americana, mas também não confronte os interesses que lhes são essenciais.

Os passos vão ser dados com a realização de acordos de cooperação econômica e política, com o intuito de produzir maiores aproximações. Em curto prazo os resultados são poucos, mas permitem interferir nas ações que ocorrem entre o Brasil e os aliados bolivarianos. Em médio prazo eles começam a se evidenciar e geram mais aproximações. As ações humanitárias conjuntas serão utensílios importantes para isso.

Acredita-se que a representante dos EUA também irá tratar do Projeto FX-2. Os estadunidenses estão dispostos a agir de forma mais agressiva para tentar mudar o posicionamento do presidente brasileiro, sabendo-se que ele tem sido criticado por diversos setores da sociedade no tratamento dado a este projeto, bem como pela própria “Força Aérea Brasileira” (FAB).

Analistas têm apontado indícios de que os norte-americanos vão se esforçar para ganhar a concorrência, mas, se não conseguirem, eles torcerão para os suecos, devido às conseqüências de uma vitória do concorrente francês, caso ela se confirme, diante das condições em que está se dando.

Hillary também visitará o Uruguay, o Chile, a Costa Rica e a Guatemala. As visitas demonstram que se deseja consolidar a estratégia de ações bilaterais, já que, enquanto os bolivarianos tiverem voz ativa, agirão pela construção de Blocos, contrapostos aos norte-americanos.

Os países citados têm acordos comerciais avançados com os EUA. Mesmo o Uruguai, com um governo de esquerda, trabalhou durante o governo de Tabaré Vásquez tendo no horizonte a assinatura de um “Tratado de Livre Comércio” (TLC) com os EUA. Sempre que não recebia apoio ou atenção do Mercosul acenava com esta hipótese e ameaçava sair do “Mercado Comum do Sul” (MERCOSUL).

Por isso, não surpreende que este país esteja em uma lista na qual constam países próximos dos norte-americanos. Caso do Chile, o qual mesmo que também ainda conte com um governo à esquerda (até 11 de março de 2010), sempre manteve proximidade econômica e comercial, ao ponto de ter com um TLC que cobre quase 100% dos produtos chilenos. Além disso, a Secretário Hillary precisa já definir os parâmetros dos trabalhos que fará com o recém eleito Sebastián Piñera.  Encerrado o ano de 2009, agora, em março de 2010, está-se assistindo o começo da redefinição da política externa dos EUA para a América Latina.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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