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PORFÍRIO LOBO CONFIRMA QUE NÃO PARTICIPARÁ DA “REUNIÃO DE CÚPULA UE – AMÉRICA LATINA”

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O Presidente de Honduras, Porfírio Lobo, confirmou na última sexta-feira, dia 7 de maio de 2010, que não participará da “Reunião de Cúpula UE – América Latina”, a ser realizada nos dias 17 e 18 de maio de 2010, quando se pretende discutir os parâmetros para a criação de uma “Área de Livre Comércio” entre os dois continentes.

 

Lobo afirmou que não pretende atrapalhar o desenvolvimento da Reunião, devido à postura adotada pelas lideranças da América do Sul, capitaneadas pelo Bloco dos países bolivarianos (Equador, Bolívia e Venezuela), o qual contou com apoio explícito e intenso do Brasil (segundo grupo significativo de analistas, apenas por razões de estratégia-política pessoal de sua equipe de governo); e da Argentina, que, além de necessitar do apoio dos demais países do sub-continente sul-americano para enfrentar os seus problemas políticos e econômicos, com especial importância para a queda da liderança interna do governo, está costurando a presidência da UNASUL (União da Nações Sul-Americanas) para o ex-presidente da Argentina, Nestor Kirchner, marido da atual mandatária do país, Cristina Fernández Kirchner.

Dos doze países que constituem o Bloco Político em formação, apenas a Colômbia e o Peru reconhecem o governo eleito de Porfírio Lobo, mas espera-se que possa haver mudança na postura chilena, em curto prazo, bem como da brasileira, no caso da eleição de José Serra (PSDB – “Partido da Social Democracia Brasileira”), na eleição de 3 de outubro de 2010, que é o candidato presidencial pela oposição ao atual governo do PT (Partido dos Trabalhadores).

Lobo sabe que não necessita pressionar os países para o reconhecimento de seu governo, pois é algo que ocorrerá ao longo do tempo, uma vez que apenas os sul-americanos estão insistindo na tese de isolamento do país. A União Européia, os EUA e países essenciais da América Central (Nicarágua, El Salvador, Guatemala, República Dominicana, Panamá e Costa Rica) já retomaram as relações bilaterais com os hondurenhos.

Por esta razão, o atual mandatário de Honduras declarou que a postura dos sul-americanos têm sido “arrogante e prepotente, prejudicando o povo hondurenho”. Fez tal afirmação em San José, na Costa Rica, quando participou da posse da Presidente eleita do País, Laura Chinchila, e não cumprimentou Rafael Correa (Presidente do Equador), que também esteve presente na solenidade.

Declarou que o presidente equatoriano desconhece, ou se recusa a conhecer a situação verdadeira em seu país, da mesma forma que está se esquivando de reconhecer a verdade sobre ele, que foi eleito democraticamente, por uma eleição que teve ampla participação do povo, e não esteve envolvido no Movimento que retirou do poder o ex-presidente Manuela Zelaya (afastado por acusações de crimes políticos e crimes comuns), além de ter condenado a extradição do acusado.

Ou seja, Lobo está agindo de forma estratégica. Sabe que as reuniões com a América Latina comandadas pela Espanha, estão sendo esvaziadas, ou tendo reduzido seus efeitos, ao ponto de analistas verem-nas como um fracasso relativo, no caso das reuniões União Européia – MERCOSUL, que já tem contraposição direta da França e de mais dez países da União Européia, além das que estão sendo planejadas com a América Latina como um todo.

Lobo, assim, se esquiva de acusações e deixa a origem dos problemas para as fissuras internas do próprio continente americano, bem como do europeu, não lhe recaindo qualquer insinuação por supostos fracassos que possam ocorrer.

Assim, participará apenas da reunião entre Europa e América Central, que ocorrerá um dia depois (19 de maio) da reunião com os latino-americanos em geral. Estratégica e diplomaticamente, Porfírio Lobo tem acertado nas suas posturas, que podem lhes trazer benefícios em prazos curto e médio.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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