LOADING

Type to search

Potências desejam resolver problemas com o Irã

Share

As grandes potências, configuradas neste caso mais especificamente pelo “G5+1” (os cinco membros permanentes do ‘Conselho de Segurança da ONU’ – Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha, mais a Alemanha), apresentaram à “Comunidade Internacional” nova proposta de reatar as negociações com o governo do Irã, visando resolver as questões relativas ao seu programa nuclear.

Está na proposta um novo encontro com o “Grupo de Viena” (Rússia; França; EUA e AIEA –  a Agência Nuclear da ONU) para discutir elementos técnicos do Acordo (deve-se destacar que Brasil e Turquia foram excluídos de participar nas negociações).

Outros fatores foram jogados à mesa. A Rússia está entrando na “Organização das Nações Unidas” (ONU) com uma proposta de proibição por parte das ONU de aplicação de sanções unilaterais adotadas pelos países. Tal medida está sendo interpretada de formas distintas pelos analistas.

Alguns consideram que o objetivo é moderar as atuações dos EUA e da Europa. O ministro brasileiro das “Relações Exteriores”, Celso Amorin, representante do Brasil na ONU, em substituição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, afirmou que o objetivo é impedir que novas sanções sejam adotadas, prejudicando o relacionamento do Irã com vários países.

Outros analistas afirmam que a proposta visa dar mais força às grandes potências na adoção de medidas que sejam adotadas pelo “Conselho de Segurança da ONU” e reforçar as ações coletivas, algo que, seguramente, trará de novo a discussão acerca da Reforma do “Conselho de Segurança”.

Alguns pontos precisam ser destacados: (1) a Rússia está em processo de retomada do posicionamento político e estratégico no cenário internacional; (2) os russos estão em plena expansão das relações com os EUA e com Israel (com quem assinou ‘Acordo Militar’  de longo prazo) e não deseja afetar os espaços conquistados com medidas e propostas que possam afrontar seus parceiros; (3) como a medida visa a “Assembléia Geral da ONU” as resoluções aprovadas nesta instância tem caráter apenas de recomendação, diferentemente daqueles decididos no “Conselho de Segurança”.

Da perspectiva dos que afirmam ser uma maneira de controlar as grandes potências, há o argumento de que as sanções unilaterais afetam a soberania dos Estados.  A reboque, visam arranjar soluções para os prejuízos no comércio entre Rússia-Irã, Brasil-Irã e China-Irã, já que russos, brasileiros e chineses foram prejudicados com às sanções sobre as transações bancárias.

Contudo, como a iniciativa veio por meio da Rússia,  com confirmação do próprio ministro brasileiro Celso Amorin, acredita-se que tem por objetivo arranjar um paliativo para controlar a situação e evitar a escalada da violência, uma vez que, atualmente, os passos dados pelo Kremilin vão ao encontro do planejamento das grandes potências, em especial dos Estados Unidos, tanto que estão cancelando vendas de armas ao Irã e intensificado as relações com Israel.

No limite, a proposta russa, mais que configurar uma atitude contra as grandes potências, visa reforçar a decisão estratégica de seu governo de retomar o papel relevante na coordenação do sistema internacional, algo que, até o momento, tem recebido respaldo dos EUA.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.