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Problema hondurenho pode tingir estratégia brasileira de projeção global

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O imbróglio criado com a chegada de Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras, na embaixada brasileira em Tegucigalpa começa a ser visto com preocupação por parte do governo brasileiro, após os posicionamentos de senadores e manifestações de analistas, mostrando os problemas políticos e diplomáticos que o Brasil está trazendo para si.

 

Apesar de manifestar total apoio a Zelaya, isso transpareceu nas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que os brasileiros agiram de forma democrática, quando receberam o pedido de auxílio de um ex-presidente, afastado do poder. A preocupação também transpareceu nas declarações de outras autoridades diplomáticas brasileiras, as quais estão afirmando que o Brasil foi pego de surpresa, com a chegada de Zelaya na embaixada.

O presidente Lula solicitou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para tratar do tema e, hoje, tocará neste problema, quando fizer o seu discurso na “64a Assembléia Geral das Nações Unidas”, apesar de focar principalmente nas questões da crise internacional e da governança global, segundo anúncio de seu assessor de relações internacionais, Marco Aurélio Garcia.   

A estratégia que se desenha é buscar uma saída honrosa para o caso. Duas são as hipóteses mais plausíveis, embora, diante das posturas adotadas até o momento, não seja possível afirmar que elas são as mais evidentes de acontecer. A primeira é o Brasil dar Asilo a Zelaya e conseguir permissão para a sua retirada de Honduras. A segunda pode ser a busca de apoio internacional para forçar o atual governo a acatar as exigências do presidente afastado.

A primeira parece ser a mais adequada, pois serviria como comprovação de que o Brasil apenas agiu de acordo com as regras internacionais e ficaria livre de acusações de interferência em outros países. No caso da segunda, a possibilidade de uma escalada da violência é grande e, dificilmente, os brasileiros se desvencilharão das acusações de responsabilidade por uma guerra civil em Honduras.

Ou seja, começa a ficar explícito que o governo do Brasil não quer ser identificado como um agente direto na disputa política de Honduras, pois será visto como o responsável pela violência que possa resultar das mobilizações que estão sendo feitas a partir de sua embaixada. Junto com isso virá à acusação de ingerência em assuntos internos de outros estados, algo que pesará contra qualquer candidato que deseje ser membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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