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Questão iraniana caminha para impasse e a tendência crescente é de conclusão violenta

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O problema do Irã perante a sociedade internacional caminha cada vez mais para a condição de impasse. Começa a emergir a situação de “horizonte-limite” e, além dela, os governos “ocidentais”, tanto como o governo iraniano, serão obrigados a executar suas ameaças para não perder suas respectivas forças no sistema internacional.

Países europeus e EUA estão discutindo o aumento das sanções, mas não definiram o que será feito, nem como. Alguns desejam que este procedimento seja urgente, mas eles enfrentam as oposições chinesa e russa, que preferem o caminho do diálogo.

Além disso, eles presenciam o debate interno sobre os prejuízos que as sanções produzirão ao povo do Irã, a maior vítima do regime no país, segundo afirmações dos líderes na Europa.

Chineses e russos (que não são posicionados como ocidentais, mas são dois dos principais players que definem as regras do sistema internacional e determinam à condução deste debate) sempre defenderam o diálogo, pois ambos têm investimentos no país, são receptores do petróleo iraniano e os russos realizam negócios com o governo de Teerã, também na área militar.

No entanto, o governo da Rússia começa a mudar o discurso, diante das ameaças de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, de manter o projeto nos moldes atuais, com o ordenamento do enriquecimento de urânio acima dos limites seguros para uso pacífico (20%); com as ordens dadas para que sejam mantidas as construções das usinas nucleares previstas no “projeto” do país (em um dos anúncios, Ahmadinejad declarou que são previstas dez usinas); além do fato de estarem sendo feitos investimentos no desenvolvimento de mísseis, sob a alegação de estarem sendo construídos veículos lançadores de satélites.

Os iranianos seguem em passo acelerado o seu projeto e sempre que se deparam com o enrijecimento dos países ocidentais, apostam no discurso diplomático para ganhar tempo. Quando conseguem um avanço técnico, retornam para uma atitude mais agressiva. Na última declaração, Ahmadinejad afirmou que, se for atacado, o país (governo) “responderá com brutalidade”.

Diante do quadro e do aumento das tensões entre iranianos e israelenses o perigo de um confronto armado aumenta, principalmente devido à indecisão dos europeus. Os norte-americanos, preventivamente, estão posicionando tropas e armamentos em torno do Irã. Além disso, estão trabalhando no afastamento dos chineses e russos, como forma de isolar cada vez mais o governo de Teerã. Ou seja, são ações preparatórias para executar uma intervenção no país, faltando, apenas, um acontecimento que catalise os sentimentos coletivos, reivindicando a emergência de uma ação armada, e também justificando moralmente a invasão, perante a sociedade internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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