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QUESTÃO NUCLEAR ESTÁ NA CONDIÇÃO DO IMPASSE E GRANDES POTÊNCIAS MANTÊM POSICIONAMENTO PRÓ-SANÇÕES

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Após o encerramento do “Fórum das Civilizações”, no dia 28 de maio, sexta-feira, realizado na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), as dúvidas acerca do Acordo firmado entre Brasil, Turquia e Irã, acerca do “Programa Nuclear” deste último foram mantidas. A maioria dos analistas internacionais tem apontado que o Acordo será afastado e serão buscadas as formas adequadas para a aplicação da quarta rodada de sanções contra o governo de Teerã.

 

Os fatos estão pesando contra o que foi negociado. Os brasileiros estão afirmando que apenas seguiram as sugestões dos próprios norte-americanos, em carta enviada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Por esta razão, estão estranhando a reação dos estadunidenses.

Apesar de a carta ter sido divulgada à imprensa e debatida no Senado brasileiro, o “Departamento de Estado dos EUA” negaram que o Acordo está sugerido nela, da mesma forma que negam ter solicitado ao Brasil que fosse seu intermediário em negociações internacionais.

Analistas têm se dividido. Alguns dizem que foi cumprido o que está na “carta presidencial”, outros mostram, após análises do seu conteúdo, que ela apenas apresenta os desvios e riscos do comportamento iraniano, da mesma forma que elogia os esforços do Brasil e da Turquia, em reuniões realizadas anteriormente sem, contudo, solicitar que estes países negociem em nome dos EUA, ou das grandes potências. Por isso, tem afirmado que os comportamentos destes países configuram um rompimento dos procedimentos adequados em diplomacia, dentre eles a divulgação de cartas entre “Chefes de Estado”, algo só feito quando se parte para ruptura e não em processo diálogo, buscando solução para temas da agenda internacional. 

A “Secretária de Estado” norte-americana, Hilary Clinton, declarou que há grandes discordâncias entre Brasil e EUA no que tange a questão iraniana e reafirmou que os EUA não solicitaram ao Brasil e à Turquia a intermediação com o Irã.

Já o “Ministro das Relações Exteriores do Brasil”, Celso Amorim, deu declarações de que não interessa ao Brasil ser membro permanente do “Conselho de Segurança da ONU” se para tanto for necessário ser subserviente. Analistas consideraram esta afirmação como o prenúncio da tentativa de uma saída honrosa para um provável fracasso na investida do governo brasileiro para adquirir uma vaga de membro permanente do “Conselho de Segurança”.

Da mesma forma, estes observadores tomaram como inadequada à manifestação de Brasil e Turquia para realizar o Acordo, uma vez que, da perspectiva de europeus, a forma como foi conduzida à negociação colocou sob suspeita o comportamento das grandes potências, mas não o comportamento dos iranianos, ao contrário do que tem sido demonstrado pelo cenário internacional. Por isso, se configurou como uma acusação às intenções das grandes potências.

Para dificultar a situação dos iranianos, os russos passaram a adotar postura pró-ativa no caso e estão se posicionando contra o governo de Teerã, da mesma forma como estão agindo também com relação à Coréia do Norte, acerca do contencioso desta com a Coréia do Sul, que foi causado pelo torpedeamento de um navio de Seul, supostamente por embarcação norte-coreana (laudos técnicos confirmam o fato, mas Pyongyang nega e pede novas investigações). Acrescente-se o fato de começarem a ser disseminadas informações acerca de uma conexão nuclear entre Irã e Coréia do Norte, para produção de artefatos atômicos.

No dia 28 de maio, no discurso de encerramento do “Fórum das Civilizações” o representante turco louvou os esforços realizados para a construção de um mundo mais harmônico, contudo não citou o “Acordo Irã-Brasil-Turquia”, levando os observadores a interpretar que a questão será esvaziada, perderá força e caminha para a vitória dos esforços das grandes potências.

Afirmam ainda que as conseqüências para os envolvidos ocorrerão brevemente. No caso brasileiro, já estão sendo mobilizados esforços para a verificação do “Programa Nuclear do Brasil”, sob o qual começam a pairar suspeita de que também não se restringe aos fins exclusivamente pacíficos. 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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