LOADING

Type to search

Renúncia de Zelaya não representa recusa do poder, mas movimento tático para deslegitimar as eleições

Share

O ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, remeteu uma carta ao presidente dos EUA, Barak Obama, afirmando que renuncia retornar ao cargo de Presidente da República de Honduras, pois considera que sua possível volta seja uma forma de encobrir o que considera uma eleição ilegítima, para escolher um novo Presidente para o seu país, em 29 de novembro de 2009, e assim encobrir ou legalizar o que denomina “golpe de estado”

A carta foi enviada no sábado, dia 14 de novembro, duas semanas antes das eleições, pois Manuel Zelaya sabe que, com o processo eleitoral, dificilmente o Congresso conseguirá realizar a votação sobre seu retorno ao cargo presidencial, antes do dia do pleito.

Zelaya percebeu que os movimentos realizados por Roberto Micheletti, atual presidente hondurenho, empossado interinamente após o seu afastamento, conseguiram envolvê-lo de forma tal que ele terminou fracassando na tentativa de retorno, pois ficou preso às cláusulas do Acordo assinado, as quais lhe são desfavoráveis.

Diante deste cenário, os passos táticos que está tentando dar são:

  1. renunciar à volta ao cargo para ter ao seu lado o segmento da sociedade internacional, que  declarou só legitimar a eleição se ela for conduzida com ele na presidência do país;
  2. garantir da OEA (Organização dos Estados Americanos) que não envie observadores para o pleito eleitoral e não reconheça o resultado da eleição;
  3. usar a renúncia em participar das eleições de seu apoiador e aliado, Carlos Alberto Reyes, para, mediante a existência de um segmento popular que não reconhece o pleito, impugnar as eleições;
  4. aproveitar da confusão que será criada pela renúncia de Reys quando já haviam sido impressas as cédulas eleitorais, para demonstrar que haverá problemas na contagem de votos;
  5. garantir apoio da sociedade internacional para que não reconheça o novo governo eleito.

Apesar de contar com o apoio do Brasil e dos bolivarianos, com Chávez e Morales á frente, a cisão dentro da OEA já está se tornando evidente, com a declaração do presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, de que reconhecerá o pleito eleitoral.

Os EUA também já anunciaram que consideram as eleições como parte da solução da crise. Assim, certamente reconhecerão o resultado eleitoral. O mesmo se espera da Colômbia, que, atualmente, é o principal aliado dos norte-americanos na região.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já considera que o caso hondurenho foi uma derrota. Em sua avaliação, o reconhecimento das eleições pelos EUA, mostra que os norte-americanos estiveram por traz do movimento e “um a um, os governos de direita reconhecerão” o resultado do pleito.

A questão permanece, pois, mesmo que paulatinamente ocorram os reconhecimentos do novo presidente hondurenho, ainda assim, a questão Zelaya permanecerá por algum tempo e o Brasil poderá ser novamente envolvido no problema, pois terá de ser definido como o governo brasileiro se posicionará com relação ao ex-presidente, uma vez que ele ainda se encontra hospedado na embaixada brasileira em Honduras.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!