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A Cúpula de Líderes da América do Norte foi concluída ontem, 10 de agosto, em Guadalajara reforçando a divulgação de ações que já são realizadas há anos no campo da segurança, meio ambiente e mais recentemente no combate a epidemia da gripe H1N1.

Sobre a reforma do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), solicitada pelo México para amenizar o impacto negativo nos pequenos produtores e integrá-los de forma sustentável no sistema produtivo-comercial da região, nada foi mencionado.

 

O mais próximo a este assunto esteve na seguinte afirmação dos líderes: “Reiteramos nosso compromisso de revigorar nossa relação comercial e de assegurar que os benefícios de nossa relação econômica sejam amplamente compartilhados e sustentáveis”. Ou seja, deixou-se o problema de lado, para ser tratado em outro momento.

A questão dos vistos obrigatórios aos mexicanos que decidem ir ao Canadá também continuou na mesma situação e não deve mudar, pois segundo o mandatário mexicano, o Canadá tem o direito de impor tais medidas em seu país. Já o presidente Barack Obama, anunciou que deverá realizar uma reforma das leis migratórias em seu país, sem apresentar o teor das mudanças que serão realizadas.

Nos diversos meios de comunicação foram feitas críticas ao fato de os líderes terem aberto um leque de temas muito amplo para discussão, fazendo com que não se chegasse à conclusão ou ações concretas sobre nenhum deles.

Certamente, em dois dias não seria possível tratar profundamente sobre a economia da região, sobre o combate ao narcotráfico, sobre direitos humanos, migração, epidemia, dentre outros temas mencionados.

O que deve ser considerado em ocasiões de reuniões de Cúpula é que elas apresentam para as sociedades os pontos e problemas que exigem dos países envolvidos reforço nos laços de cooperação para ter condições de enfrentá-los conjuntamente, na medida em que também mostram a interdependência que existe.

Diversos analistas também criticaram o andamento da Cúpula, afirmando que não adianta firmar compromissos em reformar as leis migratórias dos EUA e fortalecer o combate ao narcotráfico se a situação social no México se agrava.

Tais avaliações são importantes, no entanto pecam por analisar de forma independente os elementos da pauta realizada na Cúpula, carecendo de informações sobre como se desenvolve uma reunião desse gênero. Isso prejudica avaliação adequada.

Normalmente as Cúpulas geram documentos de conteúdo geral, sem ações específicas, definindo os princípios que os países devem seguir no âmbito de um determinado acordo. Após isso, grupos de trabalho específicos são criados para continuar as análises dos temas mencionados como prioritários para os envolvidos e, de então, propostas concretas são negociadas entre os Estados para colocá-las em prática.

Todo o processo demanda muito tempo, tanto que o público comum não lembra que tudo se iniciou numa determinada reunião de cúpula quando já estão sendo adotadas medidas internas nas sociedades.

Outro aspecto que tem de ser levado em conta é que os temas discutidos sempre parecem que ser considerados como interdependentes, mas isso ocorre por não haver espaço em Cúpulas para analisar a conexão entre os assuntos, mesmo porque, normalmente esse aspecto já foi trabalhado em etapas anteriores por especialistas e intelectuais dos respectivos governos e continuará sendo trabalhado posteriormente nas ações pós-reunião.

Deve-se destacar que, apesar de ser considerado o elemento da interdependência entre os envolvidos, as ações práticas são executadas segundo o princípio nacional de cada país, que poderá ser mais cooperativa, protecionista ou intervencionista. Com Barack Obama na presidência dos EUA, espera-se que haja um aumento das relações cooperativas e uma queda no protecionismo norte-americano.

Exatamente por esta expectativa, o presidente Obama enfrenta protestos em cada encontro do gênero no qual participa, devido ao julgamento do homem comum e de analistas que ignoram a razão de ser de encontros do gênero, acreditando ser é possível realizar ações que levam décadas para serem executadas dentro dos EUA.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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