LOADING

Type to search

RISCO DE GUERRA CIVIL ASSOLA “COSTA DO MARFIM”

Share

O governante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, que pretende seguir na Presidência do país apesar das suspeitas sobre o resultado das eleições, razão pela qual está recebendo contraposição internacional, exigiu neste sábado, 18 de dezembro, a saída de seu território das tropas da “Operação de Paz” da “Organização das Nações Unidas” (ONU) e dos soldados franceses (também da ONU). A exigência foi feita na televisão nacional por um porta-voz do Presidente Laurent Gbagbo.

De acordo com o comunicado, “isso implica que o Governo marfinense se opõe à renovação desta operação [da ONU], que expira em 20 de dezembro de 2010”. Um aliado de Gbagbo ressaltou que os membros das forças da ONU serão tratados como rebeldes se não deixarem o país.

Segundo informações da “Agência EFE”, a mensagem de Gbagbo ocorreu pouco depois de um de seus principais partidários, Charles Blé Goudé, líder do grupo “Jovens Patriotas”, pedir a seus seguidores que se preparem para lutar contra Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como “presidente eleito” da Costa de Marfim.

Em meio às disputas sobre o resultado das “eleições presidenciais”, o “Secretário-Geral da ONU”, Ban Ki-moon, advertiu em um discurso na “Assembléia Geral da ONU” sobre um “risco real” do retorno da guerra civil.

Ban declarou ainda que Gbagbo está tentando “expulsar ilegalmente a força de paz da ONU após a Organização ter reconhecido o opositor Alassane Ouattara como vitorioso no pleito do dia 28 de novembro”. Ele advertiu que forças leais a Gbagbo estão obstruindo as operações das “Nações Unidas” e bloquearam o acesso aos 800 soldados destacados para proteger Ouattara. Por isso, há vários dias não estão recebendo suprimentos.

Qualquer tentativa de “forçar a submissão da missão das Nações Unidas fazendo-a passar fome não será tolerada”, frisou Ban, advertindo que os responsáveis por tais atos terão de responder por eles sob a “lei internacional”.

O risco de “Guerra Civil” anunciado por Ban Ki-moon deixou a “Comunidade Internacional” em alerta. A França recomendou a “todos os franceses que deixem provisoriamente a Costa do Marfim”, como “medida de precaução” e de “prudência”, declarou o porta-voz do governo, François Baroin.

O porta-voz fez este anúncio após uma reunião sobre a situação marfinense com o Presidente francês, Nicolás Sarkozy, o primeiro-ministro François Fillon e os ministros Michèle Alliot-Marie (Negócios Estrangeiros) e Alain Juppé (Defesa), bem como com o “Chefe de Estado-Maior” das “Forças Armadas”, almirante Edouard Guillaud.

A Alemanha também recomendou aos 80 compatriotas para deixarem o país, pois considera que há “deterioração da segurança”, com o risco de ocorrerem novos confrontos e explosão de violência.

Fazendo alusão à “deteriorada situação política e de segurança”, assim como ao “crescente sentimento antiocidental” na Costa do Marfim, o “Departamento de Estado” norte-americano aconselhou os cidadãos estadunidenses a evitarem viajar para o país e também ordenou a retirada de sua embaixada de todo o pessoal cuja presença não é imediatamente necessária, assim como de suas famílias.

Neste último domingo, 19 de dezembro, os EUA e o Canadá também se juntaram ao apelo da ONU para pressionar Laurent Gbagbo a ceder o poder ao seu adversário, Alassane Ouattara, sob a ameaça de serem aplicadas sanções econômicas ao país.

Em uma declaração difundida ontem, 22 de dezembro, a “União Européia” (UE) solicitou a saída imediata de Gbagbo do poder. Maja Kocijancik, porta-voz da chefe da diplomacia européia, Catherine Ashton, sublinhou ser importante que “a passagem de poder aconteça sem demoras e sem mais requisitos”. A UE realçou que se Gbagbo insistir em continuar como Presidente serão aplicadas várias sanções.

Após a declaração da “União Européia”, um analista da organização não governamental “International Crisis Group” (ICG), declarou que “há uma lógica evidente de regresso à guerra [civil], que já provocou dezenas de mortos nos últimos dias e uma impossibilidade de negociação”, evidenciada por Gbagbo.

Tags:
Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.