LOADING

Type to search

RÚSSIA ASSUME QUE A RESPONSABILIDADE PELA MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO NA ÁSIA CENTRAL É TAREFA QUE LHE PERTENCE

Share

A Rússia está centrando foco na Ásia Central consciente da relevância da região para a ordem mundial e da importância do Estado russo para a estabilidade do sistema internacional.

O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, reforçou a “Aliança Militar” com a Armênia  realizando alterações no Acordo sobre a “Base Militar” russa em Giumri, que estava previsto para durar até 2020 e, com as modificações, se estenderá até 2040, com prorrogação de 5 anos, caso nenhuma das partes denuncie o Acordo com até seis meses para o seu encerramento. A cidade armênia de Giumri fica próxima à fronteira com a Turquia e também da fronteira com a Geórgia.

 

Os russos têm preocupações com relação à estabilidade da região e sabe que necessita reforçar sua presença para evitar a perda de influência, em especial, para evitar que a região entre em conflito.

A base em Giumri está equipada com o sistema de mísseis S-300 e com caças Mig-29, além de 5.000 soldados. No Acordo firmado, haverá fornecimento de armamentos modernos para as “Forças Armadas” da Armênia.

A Rússia é tida como  natural mediadora da região da Ásia Central e o governo, consciente desta condição está trabalhando para garantir a paz. É a principal força entre os membros “Organização do Tratado de Segurança Coletiva” (OSTC) – composto, além da Rússia,  por Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, países que fizeram parte das antigas “União Soviética” e “Comunidade dos Estados Independentes” (CEI).

O Tratado foi assinado em 1992, com o objetivo de lutar contra o terrorismo e o crime organizado e, em 4 de fevereiro de 2009, criou-se uma “Força Coletiva de Ação Rápida”, para atuar contra agressões em relação a qualquer país membro, realizar ações contra os desastres naturais e catástrofes industriais, além de cumprir suas operações contra o terrorismo, o narcotráfico e o crime organizado.

Deste Tratado também faziam parte o Azerbaijão e a Geórgia que se retiraram, buscando a Geórgia ingressar na “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN), algo que poderia atingiri a “segurança” do Estado russo e afetou, por algum tempo, a sua relação com europeus e norte-americanos, além de dar estímulo aos conflitos separatistas dos territórios autônomos da Abkházia e Ossétia do Sul.

Analistas têm afirmado que o reforço do Acordo trará dificuldades a Moscou. Como os russos estão reivindicando a função de mediadores em toda à Ásia Central, observadores apontam que o reforço dos Acordos da OSTC, em especial com a Armênia, pode trazer reações do Azerbaijão, pois os azeris (também se fala azerbaijanos, ou azerbaijaneses) e armênios têm contenciosos em torno da região de Nagorno-Karabakh, que é um enclave armênio dentro do Azerbaijão e, por isso, poderão os azeris, como resposta, acolher uma base turca na república autônoma de Nakhitchevan (por sua vez, um enclave azerbaijano situado entre a Turquia e a Armênia).

Os observadores internacionais acreditam que o Azerbaijão colocará em dúvida a neutralidade dos russos para mediarem seu contencioso com a Armênia, porém o presidente Medvedev tem afirmado que manterá o trabalho para resolver o problema de forma política, diplomática e neutra, visando o equilíbrio da região. Em suas palavras: “Continuamos prontos a continuar a nossa missão de intermediação, a ajudar nesse processo, a contribuir para a busca de uma solução política com base em acordos aceitáveis para todas as partes”.

Além dos contenciosos específicos, os turcos estão se tornando um fator de desequilíbrio, já que estão trabalhando para expandir sua influência, com significativos sinais de desejo de projeção de poder.  A iniciativa dos turcos com relação a “Acordo Irã-Brasil-Turquia” trouxe descontentamento para várias das partes envolvidas no problema global, em especial à Rússia, pois, embora não tenha sido divulgado pela mídia internacional, estava implícito o desejo turco de formar com os iranianos uma parceria que poderia reforçar a estratégia de se investir em projeto de gasoduto que percorra território fora do controle russo, dando aos turcos maior capacidade na negociação do gás natural com a Europa e com o Ocidente. Aos russos isto estava claro.

Além de manter sua influência regional, a questão do reforço à OSTC e do “Tratado Militar” com a Armênia se insere em projeto de segurança e estabilização da região, não se constituindo de enfrentamento e afronta a qualquer Estado da região. Da mesma forma também é vista a assinatura da construção de mais um bloco na Central Nuclear da Armênia, controlada pela Rússia, que se liga às questões energéticas e para Moscou torna-se essencial para não perder mais penetração na Transcaucásia, algo que está acontecendo.

Analistas estão apontando que os russos percebem que a questão nuclear iraniana está trazendo problemas para todos os países de seu entorno e somente a presença com mais intensidade da Rússia, assumindo papel proativo, poderá garantir a paz.

Neste sentido, as ações de Moscou objetivam cortar os conflitos regionais e controlar os antagonismos, algo que somente uma grande potência regional poderá fazê-lo. Esta é a postura estão adotando e a posição que desejam reassumir, razão pela qual decidiram se esforçar para se antecipar às atitudes de potências externas à região.

Ademais, são sabedores de que qualquer Ação do ocidente contra o Irã, algo possível e, a menos que fato novo surja, crescentemente provável, se estenderá imediatamente e poderá levar a Rússia a ter de enfrentar combates dentro de seu território, já que está no cenário a questão das lutas étnicas, dos separatismos,  do crime organizado e do terrorismo nuclear com Ações intensas em todo Cáucaso.

Estudiosos da Política externa russa estão interpretando as ações de Moscou como medidas preventivas, efetuando  alianças políticas, diplomáticas e militares para manter a região sob controle, ago que explica também a decisão de fornecerem combustível nuclear ao Irã, recentemente.

O objetivo é tomar o controle do problema, evitando que os iranianos invistam na aquisição marginal de material nuclear, e obrigá-los a se submeterem às regras da “Agencia Internacional de Energia Atômica” (AIEA).

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.