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RÚSSIA DECIDE CONCLUIR PROJETO DO REATOR NUCLEAR IRANIANO

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O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, anunciou a decisão do seu país de concluir o projeto que envolve o reator nuclear de Bushehr, no Irã, começando o carregamento de combustível nuclear a partir desta semana.

A medida implica na decisão do governo de não mais adiar a conclusão do projeto que se iniciou na década de 90 e envolveu inclusive a sua construção, mas sofreu constantes postergações. O carregamento do combustível, contudo, não tornará operativa imediatamente esta central nuclear. Segundo especialistas, o processo todo pode durar até um ano e meio.

 

Os russos têm relações intensas com o Irã e são seus principais fornecedores de armamentos, porém as relações próximas entre os dois países sofreu abalos nos últimos dois meses, já que o governo da Rússia adotou política externa voltada para a comunidade internacional, acatando e apoiando as deliberações tomadas nas instâncias coletivas mundiais.

Analistas têm apontado que a decisão do governo russo não é um retrocesso em relação ao seu posicionamento atual, nem significará a criação de brechas para que os iranianos tenham condições de enfrentar a sociedade global, dando continuidade aos desafios que têm feito, como o último em que anunciaram estar enriquecendo urânio à base de 20%.

A decisão significa que o russos desejam assumir as rédeas do processo que envolve a questão nuclear iraniana, pois colocarão sob sua orientação direta o problema do “programa nuclear” do Irã. Eles não podem permitir que o risco de conflito regional se concretize.

Retomando o apoio ao projeto, concluirão o processo com o fornecimento do combustível para o funcionamento da usina, mas será feito de forma a controlar os passos necessários, respeitando as exigências internacionais e permitindo que sejam aplicadas as deliberações coletivas das instâncias mundiais, uma vez que a chegada e o carregamento do material serão fiscalizados e monitorados pela “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA).

Segundo o porta-voz da “Agência Atômica da Rússia”, Serguei Novikov, “Os inspetores da AIEA vão remover os selos dos contentores do combustível nuclear e inspecioná-los. (…) O combustível será depois transferido para instalações especiais de armazenamento. E quando a agência nuclear iraniana der autorização, o combustível será carregado no reator”.

Os observadores têm apontado que a decisão do governo da Rússia implica numa medida de controle e está dentro de uma estratégia que, se não teve participação das demais grandes potências, poderá beneficiar a sociedade internacional.

Os iranianos terão a seu favor a possibilidade de usar a energia nuclear como fonte de energia, tal qual têm declarado, podendo provar que não desejam aplicá-la para fins militares, algo em que a maior parte dos analistas não acredita. Caso recusem, ou desafiem as iniciativas medidas russas, eles estarão definitivamente isolados.

A região ganhará tempo para buscar caminhos de estabilização, a menos que algum ato do governo iraniano gere conflito imediato, ou inutilize os esforços que a Rússia está destinando para esta nova ação.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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