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RÚSSIA SE APROXIMA DA EUROPA PARA PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DO PAÍS E RELATIVIZA EFEITO “WIKILEAKS”

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O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou que buscará ampliar a cooperação com a “União Européia” para a realização do processo de modernização do país. Em suas palavras, “Entramos numa cooperação em novos ramos, incluindo a modernização. A Rússia está interessada em que os países importantes da União Européia participem na modernização da economia russa. Precisamos de tecnologias, de hábitos e de apoio em quadros. Neste caso, contamos com o desenvolvimento de relações com Itália”.

 

A declaração foi feita após reunião com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, com quem está estreitando as relações diplomáticas e planejando intensificar os “Acordos de Cooperação”. Com a Itália foram assinados documentos em vários campos, sete ao todo, em especial na área de “defesa”, “emigração” e “finanças”, conforme disseminado pela mídia. Acertou-se: (1) o apoio sobre o transporte ferroviário de armamento, munições e cargas militares através da Rússia para as tropas italianas que estão no Afeganistão; (2) a aquisição de veículos blindados da Itália; (3) foram assinados memorandos de Cooperação na área da energia, com os consórcios de eletricidade da Rússia e da Enel; (4) foi acertada a realização de parceria bilateral para a modernização da Rússia; (5) foi acordada a isenção de vistos para tripulações de companhias aéreas e empresas aeronáuticas russas e italianas; (6) também foi acertada a realização de manobras militares conjuntas, em 2011. De acordo com Irina Kovalchuk, porta-voz do ministro russo da Defesa, Anatoli Serdiukov, “o objetivo das manobras é ensaiar a interação das tropas aerotransportadas em zonas montanhosas”.

A aproximação entre russos e a União Européia começa a se configurar como o ponto nevrálgico para a modernização da “Federação Russa”, bem como para a estabilização do sistema internacional contemporâneo, algo que também depende de forma significativa das boas relações entre Rússia, Europa e EUA.

Por isso, as informações disseminadas pelo site “Wikileaks” estão sendo relativizadas, apesar do teor constrangedor em certos momentos e das respostas ríspidas que começam a ser dadas pelas lideranças envolvidas. Neste momento pelas autoridades russas.

Analistas afirmam, que as reações atuais de Putin e Medvedev visam o consumo interno em seu país, já que  a imprensa da Rússia está divulgando intensamente o vazamento. Dizem, ainda, que todas as repostas objetivam esvaziar o caso e usá-lo estrategicamente.

Observadores concordam que Medevdev respondeu de forma rígida, mas elegante, visando não atingir as relações entre os dois países. Algo que pôde ser comprovado na declaração:  “Não somos paranóicos e não ligamos as relações russo-americanas a quaisquer fugas, embora elas sejam sintomáticas: elas mostram todo o cinismo de avaliações que prevalecem na política externa de diferentes Estados, neste caso, dos Estados Unidos”.

Alguns meios de imprensa divulgaram que o Presidente russo chamou a política externa norte-americana de cínica. Outros negam esta intenção e a contextualizam, afirmando que ele intentou dizer que as políticas externas de vários países são cínicas, quando não todas, e, neste caso, devido aos vazamentos, poderia ser colocada a dos EUA. Contudo, o essencial é que isto não afetará as relações entre eles, pois, como afirmou Medvedev, “há diferentes opiniões”.

Para confirmar que o teor da declaração é mais genérico e menos confrontador dos EUA, o Presidente russo continuou: “Considero que se, Deus nos livre, aos órgãos de informação chegarem avaliações feitas pelos diplomatas e serviços secretos russos, nomeadamente sobre os nossos colegas americanos, estes terão um monte prazeres. Mas será que isso é necessário? No meu entender, a diplomacia deve ser silenciosa como os negócios bancários e deve ser realizada com base nos respectivos princípios”.

Analistas afirmam ainda que o comportamento de Medvedev está sintonizado com o do primeiro-ministro Vladmir Putin, que respondeu de forma mais ríspida ao que foi divulgado, porém ambos desejam alcançar o mesmo intento.

Se Putin chegou a afirmar como sendo “arrogante, sem-vergonha e descarada” a descrição feita sobre ele e Medvedev, dizendo que o objetivo dessas declarações eram desmoralizar e reduzir ambos os líderes russos, agora está começando a questionar o site “Wikileaks

Classificou como “delírio total” o que foi divulgado, coisas como que a “Federação Russa” é um “Estado mafioso”; que as relações entre Putin e Medvedev são “obscuras para o mundo exterior”; que ele, Putin, “governa nos bastidores”. Neste momento, o Primeiro-Ministro está levantando a possibilidade de haver fraude na origem dos documentos, independentemente de suas existências concretas. Ou seja, está duvidando das suas autenticidades, ou, no mínimo, da qualidade dos diplomatas que os fizeram, caso os tenha feito. Isto foi dito pelo seu porta-voz, Dmitri Peskov.

Conforme Peskov, “Não sabemos se se trata de despachos, telegramas verdadeiros ou falsificações. Mas tudo parece um delírio total”. Afirmou ainda, “se supusermos hipoteticamente que esses telegramas foram escritos por diplomatas verdadeiros, gostaria de desejar que esse país tenha melhores diplomatas”. Complementou dizendo que “se os telegramas são realmente verdadeiros, então trata-se do problema do país onde assim são tornados públicos documentos secretos. (…). Espero que as pessoas a quem são destinados os despachos tenham vistas mais largas, sejam pessoas mais sérias”.

Aproveitando do momento, Putin declarou que o Senado dos EUA devem ratificar o novo “Tratado de Redução de  Armas Nucleares Estratégicas” (START), que foi assinado por Barack Obama, presidente dos EUA, e por Dmitri Medvedev, em abril deste ano, 2010. Afirmou que, caso não o façam, o seu país será obrigado a aumentar a número de armamentos nucleares como resposta para garantir o equilíbrio estratégico entre Rússia e EUA.

É uma declaração que vem ao encontro de outra realizada por Medvedev, quando manifestou que a recusa do Senado dos EUA em assinar o “Novo START” pode levar a uma nova corrida armamentista, o que demonstra que ambas autoridades russas estão agindo na mesma direção e sentido, embora ainda haja dúvidas sobre uma possível disputa entre os dois para definir quem será o candidato à “Presidência da Federação Russa” nas próximas eleições.

Autoridades militares estadunidenses concordam com a assinatura urgentemente. O chefe do “Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos”, almirante Michael Mullen, afirmou que o novo “Tratado de Redução de Armas Estratégicas Ofensivas” (START) é muito importante à segurança norte-americana. Em suas palavras, ditas em entrevistas a estudantes da “Universidade de Stanford”, na Califórnia: “o novo tratado de desarmamento nuclear firmado com a Rússia nos permitirá manter nosso sistema de contenção nuclear. Além disso, melhora a transparência que guiam nossas relações”.

Em seu entendimento o Acordo permitirá aos norte-americanos conhecer os “sistemas e intenções da Rússia. Complementou a declaração dizendo: “creio, e esta opinião é compartilhada por outros do alto comando militar do nosso país, que esse tratado é importante para o sistema de segurança [dos norte-americanos], pois é garantia de segurança e aumenta o seu grau. Confio na sua ratificação o mais logo possível pelo Senado”.

Devido ao ocorrido ao longo da última semana, com a divulgação dos documentos secretos norte-americanos pelo site “Wikileaks”, os analisas estão afirmando que houve um grande constrangimento para os EUA, mas que não haverá grandes mudanças de roteiros nos planejamentos estratégicos das “grandes potências”. Acreditam ainda que algumas delas tirarão proveito do acontecimento para acelerar processos em andamento, ao invés de querer interrompê-los.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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