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Se confirmada pesquisa de boca de urna, Morales terá poder total na Bolívia

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Os primeiros resultados da contagem de votos confirmam o favoritismo de Morales, contundo ainda com margem menor que a apontada na pesquisa de boca de urna. Pelo que foi anunciado, ontem, dia 8 de dezembro de 2009, após a apuração de 20,6% das urnas, o Presidente conta com 47, 9% dos votos, contra 41,4% dados ao seu opositor e segundo colocado nas pesquisas, Manfred Reys Villa.

De acordo com o apurado, o partido do presidente Evo Morales, MAS (Movimento al Socialismo) conseguirá 25 das 36 cadeiras no Senado e 88 das 130 cadeiras na Câmara de Deputados (alguns jornais indicam 85 cadeiras).

Confirmados os resultados, o Presidente terá poder para efetuar as mudanças que deseja naquilo que denominou “refundação da Bolívia”. Um projeto pelo qual pretende realizar a inclusão social e a redistribuição de renda instituída pela presença do Estado nos mais variados setores da organização social e da economia.

No momento, há, aproximadamente, cem “Projetos de Lei” para serem votados na, agora denominada, “Assembléia Legislativa Plurinacional”, os quais, sendo confirmadas as estimativas, contemplarão as reformas propostas pelo Presidente.

A ação do Estado na economia se intensificará num projeto de industrialização que é a principal meta para o próximo governo do atual mandatário. A idéia é que o Estado invista maioria dos recursos que agora dispõe, conseguidos com a nacionalização dos hidrocarbonetos, em projetos em parceria com alguns investidores externos que o presidente tem buscado em suas viagens para transformar a Bolívia num país menos dependente da exportação de commodities.

Dois deles já estão fazendo seus investimentos na Bolívia: a Rússia e o Irã. Com esses países, Morales pretende receber investimentos para as áreas de tecnologia, petroquímica, agricultura e infra-estrutura.

É possível que daí surja o grosso dos recursos que a Bolívia necessita, uma vez que seu principal aliado, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, vive momentos mais complexos e necessitará segurar os investimentos que sempre disponibilizou para os aliados no exterior.

As relações com o Brasil caminham favoráveis, graças, principalmente à proximidade de Morales com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que em várias declarações afirmou apoiar o atual presidente boliviano, tendo sido, por isso, acusado pelo principal opositor no pleito, Manfred Reys Villa, de interferir nas eleições bolivianas.

O Brasil é o maior parceiro comercial da Bolívia, sendo o primeiro tanto nas exportações bolivianas, com mais de 40%, e também o primeiro nas importações, com mais de 20%.

Por essa razão, a preocupação de Morales estará centrada na condução das negociações com o atual governo, de forma que garanta tranqüilidade para conduzir as tratativas com o futuro presidente brasileiro a ser eleito em 2010.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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