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SEGMENTOS DA SOCIEDADE COMEÇAM A SE MANIFESTAR CONTRA A VINDA DE AHMADINEJAD AO BRASIL

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Segmentos da sociedade brasileira começam a se manifestar contra a vinda do presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) ao Brasil, prevista para o dia 23 novembro de 2009.

No dia 20 de outubro (terça-feira), um representante da comunidade judaica, o Grão-Rabino Asquenazi,  Yona Metzger, fez uma reunião com o presidente do Senado, Senador José Saney, e solicitou que a visita fosse revista e adiada.

 

O objetivo é que Sarney fale diretamente com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para demovê-lo da idéia, já que o presidente do Senado pode se expressar da perspectiva de um ex-presidente da República e tem condições de mostrar os riscos, os ganhos e as perdas políticas do encontro. A principal indicação é de que Lula perderá prestígio internacional, mesmo que, na Europa, esteja sendo afirmado que ele poderá contribuir para a Democracia no Irã.

Os observadores sabem que uma visita como essa não tem poder para alterar algo em relação à situação pela qual passa o país de Ahmadinejad. Os noticiários que conseguiram furar o cerco à imprensa no Irã estão divulgando a maior manifestação popular desde a Revolução Xiita, em 1979, disseminando todos os atos contra os manifestantes.

No limite, o que se afirma é que os argumentos vindos da Europa sejam apenas paliativos, uma vez que estão sendo firmados acordos comerciais entre alguns países europeus e os brasileiros, apesar de haver indícios de que tanto os EUA, quanto europeus também tenham visto no presidente brasileiro, Lula, um possível mediador, para demover o Irã de seu programa nuclear.

Quando dos encontros de Luiz Inácio Lula da Silva na Europa, aventou-se que ele fosse um articulador das aproximações do iraniano com o Ocidente, já que não se teria associação automática com o significado de ação realizada por uma grande potência, para envolver e limitar um país que busca se defender no cenário mundial.

A favor disso estão sendo divulgadas afirmações dos próprios políticos estadunidenses que estão depositando esperanças na competência brasileira para convencer Ahmadnejad a adotar o modelo brasileiro de atuação, com relação ao uso de energia nuclear.

Embora o argumento faça sentido, ele ignora o sistema político do Irã, no qual a figura do Presidente é importante, mas corresponde a de um Primeiro-Ministro com poderes reduzidos, em relação ao modelo parlamentarista do ocidente.

Lá o poder concreto está concentrado nas mãos do Líder Supremo e de seu Conselho. Assim, Ahamdinejad é um porta-voz, com capacidade de ação para administrar, dentro de limites rigidamente estabelecidos, e servindo de anteparo e muro de proteção que possa evitar o acesso direto aqueles que tomam as decisões definitivas.

Na extremidade lógica, a vinda do presidente do Irã poderá significar a associação do Brasil com o político iraniano, mais que a chance de demovê-lo de projetos sobre os quais sua capacidade de deliberação é muito menor do que aquilo que tem sido divulgado pela imprensa Mundial.

Está prevista, ainda, a chegada de uma delegação comercial iraniana que ficará no Brasil, entre os dias 5 e 13 de dezembro, com o intuito de ampliar as relações econômicas entre os dois países.

Com base nisto, o presidente Lula está argumentando que suas reuniões não são pró, ou contra o governo do Irã, mas a favor de ambos os povos, pois os Acordos que podem ser firmados ajudarão às respectivas economias.

O problema terá de ser resolvido com urgência. Autoridades e políticos de vários lugares do mundo também estão surgindo, afirmando que Lula terá uma perda enorme com a visita.

O deputado democrata dos EUA, Eliot Engel, de ascendência judaica, líder da Subcomissão de Hemisfério Ocidental da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, afirmou que “Esper(a) que o governo dos Estados Unidos deixe claro ao presidente Lula que a visita de Ahmadinejad, um ditador que nega o Holocausto, é um erro“, e acrescentou que isso deve ser visto, “principalmente para um país respeitado como o Brasil, que quer um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU“.

Em síntese, mostrou que a visita poderá dar início às manifestações sólidas contra as aspirações do Brasil na ONU e contra a imagem que está sendo construída acerca do país.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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