LOADING

Type to search

Senado brasileiro aprova entrada da Venezuela no Mercosul usando como argumento a Economia

Share

O Senado brasileiro aprovou no dia 15 de dezembro, terça-feira, a entrada da Venezuela no MERCOSUL com 35 votos a favor, contra 27 contra. O argumento vitorioso foi de que a solicitação de entrada diz respeito ao Estado venezuelano e não ao governo da Venezuela, comandado pelo presidente Hugo Chávez, que é transitório.

Os pontos mais importantes ficaram centrados nas relações econômicas entre os dois países, que, segundo informado pelo Senador Romero Jucá (PMDB-RR), as exportações brasileiras para a Venezuela cresceram de US$ 608 milhões para US$ 5,15 bilhões, entre 2003 e 2008, ou seja, um acréscimo de 758% em cinco anos. Acrescentou ainda que, no momento, o Brasil tem com a Venezuela seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões dólares, valor 2,5 vezes superior ao obtido com os Estados Unidos, de US$ 1,8 bilhão. Outras fontes afirmaram que, nos últimos dez anos, o comércio Brasil-Venezuela cresceu 885%. O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, acrescentou que a entrada dos venezuelanos é um passo seguro para a integração do continente.

A oposição, por sua vez, usou de dados que demonstram o problema da entrada dos venezuelanos, não devido ao seu povo, mas graças às medidas e ações consideradas autoritárias e antidemocráticas de seu presidente, Hugo Chávez.

Os senadores destacaram os problemas de posicionamento da política interna do venezuelano e as suas atitudes de confrontação ao sistema internacional, algo que problematizará a política externa brasileira, bem como os negócios do MERCOSUL, pois o bloco tem firmado acordos com países cntra os quais a Venezuela tem se contraposto, como é o caso de Israel. De acordo com os senadores, isso não teria importância, não fosse o fato do poder de veto que Hugo Chávez terá sendo membro efetivo do grupo.

No mesmo dia da aprovação pelo Senado brasileiro, anunciava-se nos jornais que o presidente Hugo Chávez havia dado ordem de prisão à juíza María Lourdes Afiuni Mora, detida duas horas depois de ter concedido um habeas corpus, a um preso, o banqueiro, Eligio Cedeño.

Anunciou-se ainda a determinação de que a juíza seria enviada ao presídio feminino, no qual ficam as presas condenadas, negando-lhe o direito de ficar nos presídios daquelas que aguardam a conclusão do processo penal. 

O problema decorre do fato de que, segundo denúncias de familiares da juíza, neste lugar estão algumas das mais perigosas presas do país, condenadas pela própria magistrada, que é considerada rígida na aplicação do Código Penal.

Os familiares ainda denunciam que o governo Hugo Chávez e o tribunal a ele vinculado estão condenando Maria Lurdes Afiuni praticamente à morte. Por essa ação, o presidente venezuelano está sendo denunciado à ONU.

De acordo com analistas, o Senado brasileiro ficou preso às questões exclusivamente econômicas, esquecendo esses fatores que são determinantes para a existência e funcionamento do MERCOSUL.

Resta ainda a aprovação do Senado paraguaio para confirmar a entrada da Venezuela no Bloco. Os senadores paraguaios declararam que não aprovarão a participação dos venezuelanos, enquanto Hugo Chávez estiver no poder. Segundo declarações, eles não podem aceitar um líder que interfere internamente nos demais países e não respeita a democracia e os direitos humanos, pontos essenciais para fazer parte do MERCOSUL.

A alusão se refere ao fato de Chávez ter feito, recentemente, declarações acerca de um suposto Golpe de Estado que estava sendo preparado no país, trazendo problemas internos. Além disso, esses parlamentares não aceitam as interferências realizadas pelo venezuelano na época do anterior presidente da República, Nicanor Duarte Frutos. A votação no Senado paraguaio foi transferida para o ano que vem (2010), iniciando-se as discussões sobre se será mandada ou não a solicitação ao Congresso, após o fim do recesso parlamentar, em março.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!