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Situação no Bahrein pode gerar guerra entre Irã e Arábia Saudita

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No Sábado, dia 19 de março, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, adotou postura explícita em relação ao Irã, alertando para que não interfira no Bahrein, nem em outros países do Oriente Médio. A declaração da Secretária foi  direta e evitou os contornos diplomáticos, como o adotado pelo secretário de Defesa, Robert Gates, que, durante sua visita a Manama, capital do Bahrein, anunciou que “não temos nenhuma evidência que sugira que o Irã tenha iniciado nenhuma dessas revoluções populares ou manifestações na região”.

Hillary foi dura na declaração, demonstrando que os EUA estão percebendo os custos e riscos de prorrogar a adoção de postura clara e direta em relação a reorganização da região dos países árabes e muçulmanos, bem como da necessidade de demonstrar para os países ocidentais de que não há alternativas para estes, devendo aliar-se numa tomada de posição comum com relação ao Irã.

Ao advertir o governo iraniano, Hilary declarou que os EUA “têm um compromisso firme com a segurança do Golfo (…) e nossa prioridade máxima é trabalhar junto com nossos parceiros (neste caso específico, os parceiros árabes) em torno de nossa preocupação com o comportamento do Irã na região”. O Bahrein é ponto estratégico, em torno do qual não pode haver riscos, tanto que é a sede da “5ª Frota da Marinha dos EUA”.

Nas ações de propaganda dos iranianos e dos grupos regionais anti-norte-americanos tenta-se afirmar que há uma interferência dos EUA, ou que a situação do Bahrein é semelhante a da Líbia, já que o governo bahreinita está confrontando as manifestações populares que visam a sua substituição com violência e recebe apoio de tropas estrangeiras (sauditas), articuladas pelos estadunidenses.

A secretária Hillary Clinton afirmou que o governo bahreinita tem um “direito soberano” de solicitar auxílio dos sauditas, mas recusou aceitar que a violência seja a solução para o problema. Em suas palavras: “O uso das forças de segurança, isolado, não vai resolver os desafios que o Bahrein está enfrentando. A violência não é e não pode ser a resposta. A solução é um processo político”.

Os norte-americanos estão agora confrontando diretamente o Irã, já que o governo deste país tem estimulado situações como a ocorrida na “Universidade de Teerã”, onde, durante as orações de sexta-feira, o aiatolá Ahmad Jannati afirmou que “os irmãos e irmãs no Bahrein devem resistir ao inimigo até a vitória ou a morte”, ouvindo dos presentes declarações como: “Não há Deus senão Alá” e também que “Al Saud (referindo-se à dinastia saudita) é inimigo de Deus”.

Analistas estão apontando que não será surpresa que estejam nascendo as condições para uma nova guerra no Oriente Médio, entre os iranianos (xiitas) e uma coligação chefiada pela Arábia Saudita (sunitas), situação que daria aos dois regimes condições para manterem seus posicionamentos e enfrentarem as manifestações internas.

Da mesma forma, poderia ser uma situação que manteria a violência circunscrita ao contexto regional, apesar dos custos que traria para a economia mundial e a para a comunidade internacional.
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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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