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Analistas internacionais começam a interpretar a situação no Oriente Médio como caminhando em direção à guerra. O último episódio envoldendo o caso do físico iraniano configura-se como uma “guerra de propaganda“, na qual dificilmente será possível confirmar a verdade do caso.

Norte-americanos afirmam que o cientista iraniano era um desertor que passou informações sobre o “programa nuclear do Irã” e os iranianos declaram que se tratava de um falso desertor, trabalhando como agente duplo e passando dados sobre a estrutura interna e o funcionamento da CIA, Agência de Inteligência dos EUA.

 

Especialistas tendem a aceitar a declaração dos EUA, pois dificilmente os norte-americanos passariam informações sobre sua Agência para um desertor, além daquelas que já se encontram disponíveis em fontes abertas, algo concreto, devido à seriedade e profissionalismo com os quais é tratada a atividade de inteligência nos Estados Unidos.

Complementam à análise declarando que o mais provável é que o físico iraniano tenha retornado ao seu país devido às ameaças que o governo de Teerã possa estar fazendo à sua família. Para complementar o quadro da “guerra de propaganda” do Irã, está sendo declarado que o epsódio será covertido em filme, contando como o físico enganou a CIA.

Observadores afirmam que esta situação será mantida enquanto durarem os enfrentamentos diplomáticos e forem usados elementos de “Guerra Psicológica”, insistindo que, pela movimentação no cenário regional, este período tende a ser curto, já que iranianos e norte-americanos estão se movimentando para inciarem um combate armado.

Teerã tem insistido no exemplo da situação afegã, afirmando que este país, que conta com 140.000 soldados dos Estados Unidos em seu território, se tornará um novo Vietnã. Indiretamente, estão dizendo que o Irã será pior que o Afeganistão. Tem declarado ainda que há proximidade de interesses com a Coréia do Norte, sobre quem tem sido afirmado que é a responsável pelo fornecimento de material nuclear aos iranianos, compondo um mercado negro e acertando uma aliança estratégica.

Acreditam que, por isso, estará garantido que os Estados Unidos serão obrigados a dividir forças no caso do confronto militar. Nesta situação não haverá como manter o conflito por longo tempo, nem uma ocupação, levando-os à derrota numa “guerra de guerrilhas”, daí a constante alusão ao Vietnã.

A situação que imaginam é da neutralidade da Rússia e da China, com o apoio da Coréia do Norte e dos insurgents afegãos. Pelos cálculos que têm feito, bastará que suportem o provável bombardeio vindo do mar por determinado tempo e os EUA não terão condições de manter a guerra devido aos seus custos excessivos, já que eles não poderão abandonar o Afeganistão, o Iraque, serão obrigados a ocupar o território iraniano e, em qualquer hipótese, a Coréia do Norte manterá seu posicionamento, já que a China interferirá para que não ocorra outra Guerra entre as duas Coréias.

Ou seja, os iranianos acreditam que os Estados Unidos tenderão a ficar sozinhos, mesmo que tenham apoio e Israel e de países da Europa. Os iranianos fazem este cálculo porque tomam como certa a neutralidade russa. Os EUA, segundo dados divulgados na mídia, estão deslocando mais tropas para região, bem como porta-aviões para executarem um bombardeio em massa. A questão está sendo tratada com cuidado pela comunidade internacional.

Vários observadores têm apontado que o papel dos russos será determinante para o controle da situação. Acreditam que, caso os russos mostrem ao Irã que a sua calculada neutralidade não é real, eles poderão frear as investidas mais ousadas do governo de Teerã, que já declarou que tomará como agressão e situação de guerra as vistorias aos seus navios, como está sendo previsto pelas sanções aprovadas pelas ONU e expandidas unilateralmente pelos EUA e Europa.

Apesar das esperanças nas ações dos russos, as observações são de que dificilmente o caminho poderá ser freado, mas apenas retardado, a menos que a Rússia assuma concretamente o controle do processo.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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